RENATA FONSECA: Mulher na história
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domingo, 24 de dezembro de 2023

Mulher na história: Diana Nyad.

Olá pessoal!

Assistir ao filme Nyad apenas pelas atrizes Jodie Foster Foster e Annette Bening sem grandes expectativas, mas me surpreendi com a história dessa mulher incrível que eu nunca tinha ouvido falar.

Lógico que fiz uma pequena pesquisa sobre Diana.


Nyad nasceu na cidade de Nova Iorque em 22 de agosto de 1949, filha de Lucy Winslow Curtis (1925–2007) e do corretor da bolsa William L. Sneed Jr. Sua mãe era bisneta de Charlotte N. Winslow, inventora dos xaropes Winslow, medicamento popular à base de morfina para a dentição de crianças, fabricado de 1849 até a década de 1930. Ela também era sobrinha-neta da ativista dos direitos das mulheres Laura Curtis Bullard.

É uma escritora, jornalista, palestrante motivacional, linguista e nadadora de águas abertas estadunidense. Nyad ganhou atenção nacional em 1975, quando nadou ao redor de Manhattan (28 milhas ou 45 km) em tempo recorde, e em 1979, quando nadou de North Bimini, nas Bahamas, até Juno Beach, na Flórida (102 milhas ou 164 km).

Em 2013, em sua quinta tentativa e, aos 64 anos, ela conseguiu nadar de Havana, Cuba, até Key West (uma viagem que levou mais de 160 quilômetros), completando a terceira travessia a nado conhecida no Estreito da Flórida depois de Walter Poenisch em 1978, e Susie Maroney em 1997. Ambos os esforços anteriores envolveram uma gaiola de tubarão e, no caso de Poenisch, barbatanas e vários apoios curtos em sua embarcação de escolta. Nyad usou um traje protetor de água-viva, mergulhadores de tubarões e dispositivos eletrônicos repelentes de tubarões. Sua travessia de Cuba para a Flórida teve a ratificação negada devido à documentação incompleta, relatórios conflitantes da tripulação e regras de uma organização que não existia no momento da natação. O Guinness World Records revogou a conquista de Nyad.

Ela foi matriculada na escola particular Pine Crest em meados da década de 1960, nadando sob a tutela do treinador olímpico Jack Nelson, que, segundo ela, a molestou, começando quando ela tinha quatorze anos e continuando até se formar no Ensino Médio. Nessa época, ganhou três campeonatos do estado da Flórida no nado costas nas 100 jardas. Ela sonhava em nadar nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, mas em 1966 passou três meses de cama com endocardite e, quando começou a nadar novamente, havia perdido velocidade.

Depois de se formar na Pine Crest em 1967, ela ingressou na Universidade Emory, mas acabou sendo expulsa por pular da janela de um dormitório do quarto andar usando um paraquedas. Ela então se matriculou no Lake Forest College, em Illinois, onde voltou a nadar, concentrando-se em provas de distância. Ela logo chamou a atenção de Buck Dawson, diretor do International Swimming Hall of Fame na Flórida, que a apresentou à maratona de natação. Ela começou a treinar em seu Camp Ak-O-Mak em Magnetawan, Ontário, e estabeleceu um recorde feminino de percurso de 4 horas e 22 minutos em sua primeira corrida, uma natação de 16 km no Lago Ontário em julho de 1970, terminando em décimo lugar. Depois de se formar no Lake Forest em 1973 com uma licenciatura em inglês e francês, Nyad matriculou-se num programa de doutoramento em Literatura Comparada na Universidade de Nova Iorque em 1973 e também prosseguiu a sua carreira de natação em maratonas.

Em 2013, em sua quinta tentativa e, aos 64 anos, ela conseguiu nadar de Havana, Cuba, até Key West (uma viagem que levou mais de 160 quilômetros), completando a terceira travessia a nado conhecida no Estreito da Flórida depois de Walter Poenisch em 1978, e Susie Maroney em 1997. Ambos os esforços anteriores envolveram uma gaiola de tubarão e, no caso de Poenisch, barbatanas e vários apoios curtos em sua embarcação de escolta. Nyad usou um traje protetor de água-viva, mergulhadores de tubarões e dispositivos eletrônicos repelentes de tubarões. Sua travessia de Cuba para a Flórida teve a ratificação negada devido à documentação incompleta, relatórios conflitantes da tripulação e regras de uma organização que não existia no momento da natação. O Guinness World Records revogou a conquista de Nyad.

Fonte

https://pt.wikipedia.org/wiki/Diana_Nyad

 


 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Mulher na história: Miep Gies

Olá pessoal!

Depois que vi a série A small light da Disney Plus quis saber mais sobre essa mulher incrível e corajosa e lógico que fui dar uma pequena pesquisada.

Não posso deixar de falar da coragem dos outros funcionários da empresa que também ajudaram a esconder os judeus são eles, Victor Kugler, Johannes Kleiman e Bep Voskuijl.



Hermine "Miep" Gies (Viena, 15 de fevereiro de 1909 – Hoorn, 11 de janeiro de 2010), mais conhecida por Miep Gies, foi uma secretária e contadora austríaca, radicada nos Países Baixos. Ela ganhou atenção mundial por ter ajudado a família de Anne Frank (Otto Frank, Margot Frank, Edith Frank-Holländer) e outros quatro judeus dos Países Baixos (Fritz Pfeffer, Hermann van Pels, Auguste van Pels, Peter van Pels) a se esconder dos nazistas no Anexo Secreto, durante a Segunda Guerra Mundial.

Miep era austríaca de nascimento, mas aos 11 anos, em 1920, foi levada para Leiden, na província Holanda do Sul, em dezembro de 1920, na tentativa de fugir do racionamento de comida que prevalecia na Áustria por conta da Primeira Guerra Mundial. A família adotiva, os Nieuwenburgs, eram uma família da classe trabalhadora que já tinha cinco filhos biológicos, mas aceitou cuidar de Miep, apelido por eles cunhado. Inicialmente para permanecer por seis meses, mas por conta da saúde frágil o período se estendeu por um ano. Ao fim desse período, Mipe decidiu ficar com eles, vivendo o resto da vida nos Países Baixos.

Miep era uma ótima aluna, porém reservada e independente. Depois de se formar no ensino médio, trabalhou como contadora e em 1933 começou a trabalhar como secretária para a divisão holandesa de uma companhia de especiarias alemã, chamada Opekta. Miep gostava muito de dançar e vivia em clubes de dança com as amigas

Em 1933, Miep começou a trabalhar para Otto Frank, um comerciante judeu que tinha se mudado da Alemanha para os Países Baixos na esperança de fugir da perseguição nazista. Miep ficou muito próxima da família e foi o grande suporte da família durante os dois anos em que se esconderam no anexo. Junto de seu colega Bep Voskuijl, ela guardou o diário de Anne Frank depois da prisão da família e manteve os papéis a salvo até a libertação de Otto do campo de concentração de Auschwitz, em junho de 1945, quando soube da morte da filha mais nova.

 A esperança de Miep era devolver o diário pessoalmente a Anne, mas o entregou a Otto, que compilou o diário para sua primeira publicação em 1947. Em colaboração da escritora Alison Leslie Gold, Miep escreveu o livro Anne Frank Remembered: The Story of the Woman Who Helped to Hide the Frank Family, em 1987.

Otto Frank mudou a família da Alemanha para os Países Baixos e foi indicado gerente de operações da divisão holandesa da Opekta. Miep e seu noivo, Jan Gies, logo se tornaram amigos da família Frank. Depois de se recusar a fazer parte de uma associação nazista feminina, o passaporte de Miep foi cancelado e ela recebeu uma ordem de deportação para Áustria dentro de 90 dias. Mesmo com dificuldades, Miep se casou com Jan em 16 de julho de 1941 para poder obter a cidadania holandesa e assim escapar da deportação. A fluência de Miep tanto em holandês quanto em alemão ajudou a família Frank a ser melhor aceita pela sociedade local e o casal era visita frequente na casa dos Frank.

Junto de seu marido e outros funcionários da Opekta (Victor Kugler, Johannes Kleiman e Bep Voskuijl), Miep ajudou a família Frank, Hermann, Peter e Auguste, van Pels e Fritz Pfeffer a se esconderem no anexo em cima dos escritórios da companhia em Amsterdã, em 6 de julho de 1942 até 4 de agosto de 1944. Depois de ver como os judeus de Amsterdã eram tratados, Miep achava que deveria fazer alguma coisa para salvar quem pudesse. Miep não contou a ninguém, nem mesmo seus pais sobre as pessoas que se escondiam no anexo.

 Ao comprar comida para as famílias escondidas, Miep tentava evitar levantar qualquer suspeita, visitando lugares diferentes durante o dia e comprando de diferentes mercados. Nunca carregava mais do que uma sacola de comida, escondendo algumas coisas dentro do casaco. Para impedir que outros funcionários da empresa desconfiassem, Miep tentava não entrar no escritório abaixo do anexo durante o dia. Seu marido também ajudava com os cartões de racionamento que obtidos de maneira ilegal.

Em seu apartamento, perto daquele que a família Frank morava antes de se esconder no anexo, Miep e o marido, que pertencia à resistência holandesa, escondiam um estudante universitário anti-nazista.

Na manhã do dia 4 de agosto de 1944, em sua mesa, junto de Voskuijl and Kleiman, Miep foi confrontada por um homem armado, ordenando que eles não se mexessem. As famílias foram descobertas pela Grüne Polizei, que prendeu todos eles, bem como Kugler e Kleiman. No dia seguinte, Miep foi até a sede da polícia alemã na esperança de descobrir onde eles estavam. Ela ofereceu dinheiro para conseguir a liberdade deles, mas não conseguiu. Miep e seus colegas poderiam ser executados por ajudar os judeus, mas ela não foi presa porque o policial que a interrogou era de Viena e reconheceu seu sotaque, deixando-a ir embora. Miep e o marido permaneceram em Amsterdã até o fim da guerra.

Antes que o lugar fosse esvaziado pelas autoridades, Miep encontrou o diário de Anne e o guardou, determinada a devolver à garota quando ela voltasse. Com o fim da guerra, Miep descobriu que Anne morreu no campo de Bergen-Belsen e então entregou o diário e outros escritos de Anne a seu pai, Otto, depois que ele foi libertado de Auschwitz. Depois de transcrever algumas partes para membros da família, Otto percebeu a veia literária de Anne e conseguiu que o diário fosse publicado em 1947. Miep Gies não leu os diários antes de entregá-los a Otto, mas comentou posteriormente que se tivesse lido, ela os teria destruído, já que eles continham os nomes de todos aqueles que ajudaram a família em seu tempo no anexo.
Miep Gies morreu em 11 de janeiro de 2010, em Hoorn, um mês antes do seu aniversário de 101 anos, devido a uma queda. Seu corpo foi cremado e as cinzas entregue à família.


https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Miep_Gies


 

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Mulher na história: Catherine Dior.

Olá pessoal!

Passeando pelo IG de Bruno Astuto me deparo com o reels falando da origem de uns dos meus perfumes favoritos Miss Dior, achei a história incrível e resolvi fazer a velha e boa pequena pesquisa.

O perfume foi inspirado em Catherine irmã mais nova de Chirstin Dior.


Ginette Dior (Granville, 2 de agosto de 1917 - Callian, 17 de junho de 2008), mais conhecida como Catherine Dior, foi uma integrante da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Envolvida com a unidade de inteligência franco-polonesa F2 desde novembro de 1941, foi presa em Paris em julho de 1944 pela Gestapo, depois torturada e deportada para o campo de concentração de mulheres de Ravensbrück. Dior foi posteriormente forçada a trabalhar na prisão militar de Torgau, no campo satélite de Buchenwald em Abberode e, finalmente, em uma fábrica perto de Leipzig. Após sua libertação em abril de 1945, ela recebeu várias medalhas de honra por seus atos na Resistência, principalmente a Croix de Guerre, a Medalha do Rei pela Coragem na Causa da Liberdade e a Legião de Honra.

Em 1935, a adolescente Catherine mudou-se da casa senhorial da família em Granville, Villa Les Rhumbs, para uma casa de fazenda em ruínas na Provença. Ela logo escapou para morar com seu irmão mais velho, Christian, em Paris, vendendo acessórios para uma casa de moda enquanto ele vendia seus esboços.
Após o fim da guerra, Dior passou o resto de sua vida trabalhando com flores: primeiro como negociante de flores em Paris, depois como floricultora na Provença para a produção de fragrâncias. Ela era próxima do irmão, o conhecido estilista Christian Dior. Lançado em 1947, o perfume Miss Dior é frequentemente dito como tendo sido criado em sua homenagem por Christian. Catherine Dior ajudou a preservar o legado de seu irmão após sua morte em 1957, e se tornou a presidente honorária do Museu Christian-Dior de 1999 até sua morte em 2008, aos 90 anos.

Em novembro de 1941, Dior conheceu o membro fundador da Resistance, Hervé des Charbonneries, enquanto fazia compras em Cannes. Ela se apaixonou por ele; aos 36 anos, Des Charbonneries era casado e tinha 3 filhos. Dior juntou-se a ele na Resistência no final de 1941, logo depois que seu irmão Christian voltou a Paris. Ela usou o apartamento de Christian em Paris, localizado na Rue Royale, 10, a fim de hospedar reuniões clandestinas da Resistência.  Dior estava envolvida com a seção "Massif Central" da rede F2, uma unidade de inteligência da Resistência financiada pelos britânicos e criada pelo governo polonês no exílio para operar na França.   

Em 6 de julho de 1944, Dior foi presa junto com outras 26 pessoas do grupo, então torturados pela Gestapo. Christian tentou obter sua libertação por meio dos contatos nazistas que havia feito em seu trabalho e com a ajuda de seu amigo, o cônsul-geral sueco Raoul Nordling. Em 18 de agosto, Nordling conseguiu convencer os nazistas a colocar Catarina sob a proteção do estado sueco, mas ela já havia sido deportada em 15 de agosto em um dos últimos trens da prisão saindo de Paris em direção ao campo de concentração de mulheres de Ravensbrück. Trolley de Prévaux foi preso em Marselha no mesmo mês.
Dior foi posteriormente transferida de Ravensbrück para a prisão militar de Torgau e enviada para o "Anton Kommando" feminino para trabalhar na produção de explosivos em uma mina de potássio desativada. Ela então trabalhou em Abberode - um dos campos satélites do campo de concentração de Buchenwald - e em uma fábrica de aviação em Leipzig-Markkleeberg, que acabou sendo capturada pelo Exército dos EUA em 19 de abril de 1945. Dior foi libertada perto de Dresden no mesmo mês e voltou a Paris em 28 de maio de 1945. Em 1952, ela testemunhou em um julgamento contra 14 pessoas responsáveis pelo escritório da Gestapo em Paris.
Dior foi premiada com várias medalhas de honra por seus atos de resistência: a Croix de Guerre - uma distinção geralmente reservada às forças armadas regulares -, a Cruz de Combatente Voluntário da Resistência, a Cruz de Combatente, a Medalha do Rei pela Coragem na Causa da Liberdade , e foi nomeada um Chevalière da Legião de Honra.

Depois da guerra, Dior se tornou uma "representante em flores de corte" (mandataire en fleurs coupées). Durante 12 anos, ela trabalhou com des Charbonneries no mercado Halles em Paris, negociando flores do sul da França e das colônias francesas.  Ela então se mudou para Callian, Provença, comprando lá uma fazenda de rosas para a produção de  fragrâncias, que ela continuou a explorar até sua morte. O testamento de Christian Dior, datado de 30 de agosto de 1957, deixou seus bens para serem divididos igualmente entre sua irmã Catherine e Raymonde Zehnacker, sua mão direita. Ele morreu de ataque cardíaco em 23 de outubro do mesmo ano, aos 52 anos.

Quando Dior estreou sua coleção New Look histórica em um dia frio de inverno em 12 fevereiro de 1947, foi em uma sala perfumada com Miss Dior - um perfume, como ele imaginou, que "cheira a amor". Segundo a tradição, a fragrância ganhou esse nome quando, no meio de um encontro entre Dior e sua musa e colega Mizza Bricard, Catherine entrou na sala. “Ah, aqui!” Bricard exclamou: "Senhorita Dior!" O mesmo nome seria dado a um vestido de noite sem alças “mille fleurs”, exibido pela primeira vez em 1949.

Ela continuou preservando o legado de seu irmão até sua morte. Em 1999, Dior inaugurou o Museu Christian-Dior em Granville e tornou-se sua presidente honorária. Catherine Dior morreu em 17 de junho de 2008 em Callian aos 91 anos. Ela foi enterrada perto de seu irmão Christian.

Em setembro de 2019, Maria Grazia Chiuri, então diretora de criação da Christian Dior Itália, dedicou a coleção Pronto-a-Vestir Primavera-Verão 2020 para Catherine Dior, inspirada por sua paixão por flores.

Fontes

https://www.vogue.com/article/a-closer-look-at-the-quietly-influential-life-of-catherine-dior

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Catherine_Dior

 


 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

 Mulher na história: Eleanor Roosevelt

Olá pessoal!

Quando assisti a série The First lady fiquei muito impressionada com a história de Eleonor, era bastante avançada para o período em que ela viveu. Curiosa que sou fui dar mais uma pesquisadinha para quem não como assistir a série.

Falei da série nessa postagem aqui .


Sobre Eleanor...

Anna Eleanor Roosevelt (Nova Iorque, 11 de outubro de 1884 — Nova Iorque, 7 de novembro de 1962) foi primeira-dama dos Estados Unidos de 1933 a 1945. Seu tio, Theodore Roosevelt, foi duas vezes presidente dos Estados Unidos.

Aos oito anos perdeu a mãe e aos dez o pai, pelo que foi morar com a avó materna. Aos 15 anos foi estudar em um colégio interno na Inglaterra e quando regressou a Nova Iorque fez diversos trabalhos de assistência social.

Em meados de 1902, Franklin Roosevelt começou a cortejar sua futura esposa. Primos de quinto grau, conheceram-se durante a infância. Eles começaram a trocar correspondências em 1902 e, em outubro de 1903, a pediu em casamento. Em 17 de março de 1905, Roosevelt se casou com Eleanor em Nova Iorque, apesar da forte resistência de sua mãe. Sara Roosevelt era muito possessiva com seu filho, acreditando que ele era jovem demais para se casar; contudo, Eleanor não a desagradava. Por várias vezes, tentou fazer com que o casal rompesse o noivado. O presidente Theodore Roosevelt, conduziu a noiva até o altar, visto que seu pai, Elliott, havia morrido.

Embora Eleanor tivesse aversão à relação sexual e a considerasse "uma provação a ser suportada", ela e Franklin tiveram seis filhos. Roosevelt teve vários casos extraconjugais, incluindo um com a secretária de Eleanor, Lucy Mercer, que começou logo depois que ela foi contratada no início de 1914.

Em setembro de 1918, Eleanor encontrou na bagagem do marido cartas revelando o caso. Franklin pensou em se divorciar de Eleanor, mas Sara se opôs fortemente e Lucy não concordaria em se casar com um homem divorciado com cinco filhos. Franklin e Eleanor continuaram casados, e ele prometeu nunca mais ver Lucy. Eleanor nunca o perdoou verdadeiramente, e o casamento deles a partir de então foi mais uma parceria política. Eleanor logo depois estabeleceu uma casa separada em Hyde Park, e cada vez mais se dedicou a várias causas sociais e políticas de forma independente ao marido. A ruptura emocional no casamento foi tão profunda que, quando Roosevelt pediu a Eleanor em 1942 que voltasse para casa e morasse com ele novamente—devido à sua saúde debilitada—, ela recusou. Roosevelt nem sempre estava ciente de quando a esposa visitava a Casa Branca e, por algum tempo, a primeira-dama não conseguiu contatá-lo por telefone sem a ajuda de sua secretária; Roosevelt, por sua vez, não visitou o apartamento de Eleanor em Nova Iorque até o final de 1944.

Nos anos 1940, Eleanor foi uma das co-fundadoras da França Freedom House e apoiou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1943, Roosevelt criou a United Nations Association of the United States of America para dar suporte à criação da ONU. Foi diplomata e embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman. Durante o seu tempo na ONU presidiu a comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O presidente Truman apelidou-a de "Primeira-dama do Mundo" em homenagem a suas conquistas referentes aos direitos humanos.

Após a morte do marido, em 1945, Roosevelt continuou a ser uma defensora, porta-voz, ativista internacional para a coalizão do New Deal. Trabalhou para melhorar a situação das mulheres trabalhadoras, embora tenha sido contra a política dos direitos iguais, pois acreditava que ela afetaria negativamente as mulheres.

Uma figura ativa na política durante toda a sua vida, Eleanor Roosevelt presidiu a comissão da inovadora administração de John F. Kennedy que deu início a segunda onda do feminismo, a Comissão Presidencial sobre o Status da Mulher.

Segundo a escritora norte-americana Amy Bloom, a ex-primeira-dama teria se apaixonado pela jornalista Lorena Hickok.  É comum que os livros de história e a mídia retratem Eleanor Roosevelt e Lorena Hickok apenas como amigas, mas a obra de 2018, Casas Branca, da pesquisadora Amy Bloom explora a relação entre as mulheres num romance.

Após analisar milhares de cartas trocadas entre a ativista e a jornalista, Bloom não teve dúvidas de que elas estariam apaixonadas uma pela outra. Disponíveis ao público desde a década de 70, os escritos românticos teriam começado em 1932 e duraram cerca de 30 anos.

Com o passar dos anos Hickok se tornou uma repórter renomada da Associated Press, até que foi encaminhada para cobrir um evento de Eleanor Roosevelt, em 1932. Conforme o tempo passava, elas se tornavam cada vez mais amigas, o que motivou a jornalista abandonar seu trabalho, para morar com Roosevelt.

Embora discretas, acredita-se que a assessoria de imprensa da Casa Branca sabia sobre o relacionamento.

O fato da imprensa do século 20 ser majoritariamente composta por homens, influenciou para esconderem o caso extraconjugal da ex-primeira-dama com outra mulher. Além disso, a escritora acredita que Franklin Roosevellt sabia sobre o relacionamento, mas não intervia.

Bloom afirma em sua obra que o romance permaneceu até 1938. No entanto, ambas continuaram trocando cartas apaixonadas até a morte de Eleanor Roosevelt, em 1962. Lorena Hickok morreu pouco tempo depois, em decorrência da diabetes, em 1968. Esses fatos são retratados na série The first lady.

Fontes

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Eleanor_Roosevelt

https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$eleanor-roosevelt

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/paixao-secreta-o-romance-proibido-entre-a-primeira-dama-eleanor-roosevelt-e-lorena-hickok.phtml


 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Mulher na história: Elizabeth Cochran Seaman /Nellie Bly

Olá pessoal!

Conheci um pouco da história de Nellie Bly no programa Cozinha pratica de Rita Lobo que fez a série Cardápios com história. Fiquei impressionada e pesquisei um pouco mais sobre essa mulher incrível.


Elizabeth Cochran Seaman (Armstrong, 5 de maio de 1864- Nova Iorque, 27 de janeiro de 1922), mais conhecida pelo pseudônimo Nellie Bly, foi uma jornalista estadunidense. Foi também escritora, inventora, administradora e voluntária em obras de caridade, mais conhecida por sua viagem de circunavegação do globo em 72 dias, simulando a viagem ficcional de Phileas Fogg, no livro de Júlio Verne. Foi também pioneira nas reportagens investigativas, fingindo insanidades para estudar uma instituição para tratamento de doentes mentais por dentro.

Nascida em "Cochran's Mills", hoje uma parte de Pittsburgh.[5][6][7] Seu pai, Michael Cochran, trabalhava em um moinho e era casado com Mary Jane. Ele era um imigrante irlandês, vindo do Condado de Derry. Michael ensinou a seus filhos o valor do trabalho honesto e da determinação, comprando o moinho e boa parte do terreno em volta para constituir a fazenda de sua família. Nellie chegou a frequentar um internato por um semestre, mas foi forçada a largar por falta de dinheiro.

Em 1880, Nellie e a família se mudaram para Pittsburgh. Uma coluna misógina e agressiva chamada "What Girls Are Good For", no jornal Pittsburgh Dispatch a incentivou a escrever uma carta incisiva ao editor contra a coluna, sob o pseudônimo de "Solitária Garota Órfã". O editor, George Madden, impressionado com a carta apaixonada publicou um anúncio no jornal pedindo que a autora se identificasse. Quando Nellie se apresentou ao editor, ele lhe ofereceu uma oportunidade de escrever para o jornal, sob o mesmo pseudônimo que ela usou na carta. Depois de seu primeiro artigo para o jornal, escrito "The Girl Puzzle", o editor teria ficado ainda mais impressionado com a qualidade da escrita de Nellie e ofereceu-lhe um trabalho em tempo integral. Era comum que quem escrevesse para jornais, especialmente mulheres, usassem pseudônimos. Ela escolheu "Nelly Bly", mas o editor escreveu "Nellie" e o erro ficou.

Seu trabalho no jornal focava na situação das mulheres trabalhadoras, escrevendo uma série de artigos investigativos sobre as mulheres que trabalhavam em fábricas, mas os editores a pressionaram para fazer colunas sobre moda, sociedade e jardinagem, o papel comum de mulheres jornalistas na época. Insatisfeita com essas tarefas, ela tomou a iniciativa de viajar para o México para ser correspondente internacional. Com apenas 21 anos, ela passou cerca de seis meses escrevendo sobre a vida e a cultura do povo mexicano. Seus textos foram posteriormente publicados em um livro chamado Six Months in Mexico, em 1888. Alguns de seus textos ela critica a prisão de jornalistas locais, o governo mexicano e a ditadura de Porfirio Díaz e quando as autoridades mexicanas souberam de seus textos, ameaçaram Nellie de prisão, convidando-a a se retirar do país. A salvo em casa, ela denunciou Díaz como um tirano que oprimia o povo mexicano e controlava a imprensa com uma censura severa.
Cansada dos textos sobre artes e teatro, ela se demitiu do Pittsburgh Dispatch em 1887 e foi para Nova York. Sem dinheiro por vários meses, ela buscou o escritório do jornal de Joseph Pulitzer, o New York World, e aceitou um trabalho de jornalista disfarçada. Ela teria que se passar por louca para investigar denúncias de brutalidade e negligência no hospital psiquiátrico para mulheres na Ilha Blackwell.

Após uma noite praticando expressões na frente do espelho, ela se registrou em uma pensão. Recusando-se a ir para a cama, dizendo que tinha medo, que eles pareciam loucos, os donos da pensão decidiram que ela parecia louca e na manhã seguinte chamaram a polícia. Levada à corte, Nellie alegou não se lembrar de nada da noite anterior e o juiz concluiu que ela estava sob a ação de drogas. Sendo examinada por vários médicos, todos as declararam "insana". O caso da "bela moça louca" atraiu a atenção da mídia, onde até o jornal The New York Times questionava quem era a misteriosa garota sem memória.

Internada em um hospital psiquiátrico, Nellie teve uma visão das condições da instituição em primeira mão. A comida era arroz, carne estragada, pão seco e água intragável. Os pacientes mais perigosos eram amarrados uns aos outros com cordas. As pacientes em geral eram obrigadas a ficar sentadas em bancos duros durante o dia inteiro, sem nenhuma proteção contra o frio. Esgoto corria pelo refeitório e pela cozinha. Ratos percorriam os corredores e os quartos. A água para o banho era gelada e jogada sobre a cabeça das pacientes com baldes. As enfermeiras eram abusivas, grosseiras, gritavam para que as pacientes calassem a boca, batendo nelas caso não o fizessem. Conversando com algumas pacientes, ela teve certeza de que muitas não eram insanas ou loucas e estavam internadas contra a vontade.

Depois de 10 dias no hospital, Nellie recebeu alta. Sua reportagem publicada posteriormente em livro, chamado Dez Dias em Um Hospício, causou um furor na opinião pública e elevou o nome de Nellie ao estrelato. Médicos e funcionários tentaram explicar o quão decepcionados estavam com o relato, enquanto promotores lançaram uma investigação sobre as condições no hospital psiquiátrico, convidando Nellie para participar. Eles elaboraram um relatório recomendando mudanças extensas no tratamento dado às pacientes e aumentaram o orçamento do Departamento de Correções e Caridade em 850 mil dólares. O relatório também exigia que apenas pessoas severamente doentes fossem enviadas aos hospitais.

Em 1888, Nellie sugeriu a seu editor no New York World que ela deveria fazer uma volta ao mundo, em uma tentativa de recriar a viagem fictícia imaginada por Júlio Verne. Um ano depois, em 14 de novembro de 1889, ela embarcou no navio a vapor Augusta Victoria e iniciou sua jornada de 40 mil quilômetros, levando uma pequena bagagem de mão com roupas íntimas, um casaco de inverno, o vestido que usava e artigos de higiene, além de uma bolsa com 200 libras, ouro e alguns dólares.

A Cosmopolitan colocou uma de suas repórteres, Elizabeth Bisland, para tentar bater o recorde do livro e de Nellie Bly, começando pelo outro lado do mundo, oposto à viagem de Nellie. Para manter o interesse dos leitores, o jornal organizou uma aposta na qual os leitores teriam que estimar quanto tempo Nellie levaria para completar a viagem, tendo que acertar até os segundos, concorrendo a uma viagem para a Europa e dinheiro.

Nellie esteve na Inglaterra, França, onde conheceu Júlio Verne, em Amiens, Brindisi, Canal de Suez, Colombo, Penang, Singapura, Hong Kong e Japão. Com a evolução da tecnologia de telégrafos, com cabos submarinos, Nellie podia mandar relatórios atualizados de sua jornada para os Estados Unidos. Utilizando navios a vapor e ferrovias, muitas vezes sua viagem era interrompida pela pobre estrutura viária de alguns países.

Por conta do mau tempo, Nellie chegou a San Francisco pelo RMS Oceanic, da linha White Star, em 21 de janeiro de 1890, dois dias antes do previsto. Durante essas paradas, visitou uma colônia de leprosos na China. O dono do jornal porém pagou por um vagão especial para trazê-la para casa através do país e ela chegou em Nova Jersey em 25 de janeiro de 1890. Cerca de 72 dias depois de sua partida em Hoboken, ela estava de volta. Nellie circunavegou o globo, viajando praticamente sozinha em toda sua jornada. Na época, a repórter da Cosmopolitan ainda estava atravessando o Atlântico, chegando em Nova York quatro dias e meio depois.

Em 1895, Nellie se casou com o industrial milionário, Robert Seaman. Nellie tinha 31 anos e Seaman tinha 73 quando se casaram. Com o casamento, ela se aposentou do jornalismo, tornando-se presidente da Iron Clad Manufacturing Co., que fabricava contêineres para latas de leite e chaleiras. Em 1904, seu marido faleceu. Nellie foi inventora prolífica neste período, tendo recebido patentes para embalagens de leite e cestos de lixo.

Por um tempo, ela foi a única mulher a liderar uma indústria no país, mas o desfalque aos empregados causou a falência da empresa. Isso a forçou a retornar ao jornalismo, escrevendo relatos do front oriental durante a Primeira Guerra Mundial. Ela brilhantemente cobriu a Parada Sufragista de 1913, prevendo em seu texto que logo as mulheres poderiam votar nos Estados Unidos.

Nellie faleceu em Nova York, em 27 de janeiro de 1922, no Hospital St. Mark, de pneumonia. Ela foi sepultada em um túmulo modesto no Cemitério de Woodlawn, no Bronx.

Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nellie_Bly
 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Mulher na história: Luísa Mahin

Olá pessoal!

Uma mulher controversa, não se sabe realmente a origem, mas uma mulher que ficou na história. Participou das revoltas mais importantes aqui na Bahia.

Um pouco sobre Luísa Mahin.



Luísa Mahin — talvez nascida no início do século XIX (possivelmente em 1812) -, foi uma personagem histórica de existência controversa, uma ex-escrava de origem africana, radicada no Brasil, que teria tomado parte na articulação dos levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. Não existe, no entanto, qualquer indício de sua participação nas revoltas, o que leva alguns historiadores a considerá-la uma espécie de alter ego do escritor Luís Gama.

Sua origem é incerta, não se sabe se teria nascido na Costa da Mina, na África, ou na Bahia. Membro do povo maí, de onde vem seu sobrenome, Luísa Mahin comprou sua alforria em 1812. Livre, tornou-se quituteira em Salvador. Ela teve um filho, o poeta e abolicionista Luís Gama.

Com poucas fontes históricas a seu respeito, são pelos textos de seu filho, o advogado, poeta e abolicionista Luiz Gama, que conhecemos um pouco melhor sua
vida. Em sua "Carta a Lúcio de Mendonça", Gama a descreve como "uma negra, africana-livre, da Costa-da-Mina (Nagô de Nação), de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã".

Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. De seu tabuleiro, eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838). Sua casa foi transformada no quartel general destas revoltas.

Foi perseguida, logrando evadir-se para o Rio de Janeiro, onde foi encontrada, detida e, possivelmente, deportada para Angola, de acordo com relatos de quem a conheceu. Não existe, entretanto, nenhum documento que comprove essa informação. Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir para o Maranhão, onde, com sua influência, tenha sido desenvolvido o tambor de crioula.

Possivelmente, Luiza Mahin comprou sua alforria ainda no século 19 e tornou-se quitandeira, informação confirmada nos escritos do filho.

Segundo dados da Fundação Cultural Palmares, Luiza Mahin distribuía informações em árabe disfarçadas nas tabuletas em que vendia seus quitutes. Assim, teria
articulado a Revolta dos Malês, maior levante de escravizados da história do Brasil, organizada por negros muçulmanos, e a Sabinada, revolta separatista ocorrida
na Bahia entre 1837-1838.

Era mui bela e formosa,
Era a mais linda pretinha,
Da adusta Líbia rainha,
E no Brasil pobre escrava!
Oh, que saudade que eu tenho
Dos seus mimosos carinhos,
Quando c'os tenros filhinhos
Ela sorrindo brincava.
LUIZ GAMA NO POEMA "MINHA MÃE"

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADsa_Mahin


 

domingo, 9 de outubro de 2022

Mulher na história: Hebe Camargo

Olá pessoal!

Essa mulher ficou na história da TV Brasileira. Faz muita falta!

Hebe Camargo.

Tem uma série documental no GLOBOPLAY  e o filme Hebe .

Um pouco sobre a vida dessa grande estrela na tv.



Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani (Taubaté8 de março de 1929 — São Paulo29 de setembro de 2012) foi uma apresentadoracantoraradialistahumorista e atriz brasileira. Considerada como a Rainha da televisão brasileira, iniciou sua carreira como cantora de rádio, ainda na década de 1940, na Rádio Tupi. Lançou suas primeiras canções em 1950. Já conhecida como A estrela de São Paulo, a principal estrela do rádio da cidade, foi convidada a integrar o grupo que foi ao porto da cidade de Santos buscar os equipamentos para dar início a primeira rede de televisão brasileira, a Rede Tupi. Foi convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira ainda no ano de 1950. Em 1955, Hebe iniciou o primeiro programa feminino da TV brasileira, O Mundo é das Mulheres dirigido por Walter Forster e em 1959 lança seu primeiro disco, Hebe e Vocês. Hebe era considerada a maior entrevistadora do Brasil, tendo entrevistado diversas personalidades como Neil ArmstrongEdith PiafChristian BarnardAmália Rodrigues e Julio Iglesias ainda nas décadas de 1960 e 1970.

Em 1964 se afastou da televisão a pedido do marido Décio Capuano, para dar à luz ao filho Marcello Capuano. Neste ano, interpretaria duas regravações com sucesso absoluto nas rádios de todo Brasil, "Andorinha Preta" e "Paz do Meu Amor". Retornou à televisão pela RecordTV em abril de 1966, após vários convites e a contragosto do marido, com o programa Hebe, que permaneceu mais de quarenta anos no ar em diversas emissoras e estabilizou a apresentadora como a "Rainha da Televisão Brasileira". Na década de 1970 consagrou-se como uns dos programas de maior sucesso da televisão, com média de 70% de audiência. Em 1974 o programa é transferido para a Rede Tupi, saindo do ar em 1975 e retornando pela Rede Bandeirantes em 1979. Em 1986 o programa estreou no SBT, onde permaneceu por 25 temporadas. As duas últimas temporadas do programa foram veiculadas pela RedeTV!.

Hebe nasceu em Taubaté no Vale do Paraíba, filha de Esther Magalhães de Camargo e Sigesfredo Monteiro de Camargo. Teve uma infância humilde sendo a mais jovem de sete irmãos. Estudou até a quarta série do ciclo primário e acompanhava seu pai em suas apresentações em festas, casamentos e recitais. Seu pai, mais conhecido como "Fêgo Camargo", era violinista e cantor. Sua família mudou-se para a capital, São Paulo, em 1943, quando Hebe tinha catorze anos de idade.

Hebe iniciou como cantora na Rádio Tupi aos 15 anos de idade no programa Clube Papai Noel. Ainda na década de 1940, ela iniciou juntamente com sua irmã e duas primas o quarteto Dó-Ré-Mi-Fá; o grupo durou três anos. Já na Rádio Difusora no programa Arraial da Curva Torta em 1944, ela formou com sua irmã Stella Monteiro de Camargo Reis a dupla caipira Rosalinda e Florisbela. Seguiu na carreira de cantora com apresentações de sambas e boleros em boates. Ao gravar um disco em homenagem a Carmen Miranda, ela ficou conhecida como "estrelinha do samba" e posteriormente como "a estrela de São Paulo". Em 1950 Hebe lançou sua primeira música cantada.

Em 1950 Hebe estava no porto de Santos quando decidiu ajudar um grupo de pessoas que estava descarregando equipamentos de comunicação, o qual ela nem imaginava que eram para inaugurar a primeira televisão do Brasil, a Rede Tupi. Entre eles estava o dono do futuro canal, Assis Chateaubriand, que a convidou para participar da primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira em 18 de setembro, onde cantaria o recém-criado "Hino da Televisão Brasileira", porém no dia ela desistiu e foi substituída por Lolita Rodrigues. Apenas anos depois ela revelaria que tinha achado a letra do hino horrível e preferiu acompanhar seu namorado na época em uma cerimônia na qual seria promovido. Dias depois ela participou do programa Rancho Alegre, onde fez um dueto com o cantor Ivan Curi, a qual foi gravada por câmeras profissionais de filme e passou a ser considerada uma relíquia da televisão brasileira, uma vez que na época ainda não existia videotape para gravação na televisão e a gravação em formato de filme era muito cara, sendo raríssimos momentos registrados.

Em 1955 Hebe iniciou o primeiro programa feminino da TV brasileira, O Mundo é das Mulheres dirigido por Walter Forster. Em 1957, Hebe, originalmente com os cabelos escuros passou a se apresentar com os cabelos tingidos de louro, os quais tornaram-se uma de suas marcas registradas. Em 1959 decidiu deixar a Tupi e mudar-se para o Rio de Janeiro, onde assinou com a TV Continental e apresentou por três anos o Hebe Comanda o Espetáculo, cuja edição especial em 1961 foi lançada em disco. Em 1963 deixou a televisão e voltou para São Paulo para focar em sua carreira musical e fazer tratamentos de fertilização, já que desejava ser mãe, sendo que ela conseguiu engravidar apenas em 1965.

Em 1966 decidiu retomar a carreira na televisão e assinou com a Record TV, estreando em 10 de abril de 1966 seu programa dominical Hebe, acompanhada do músico Caçulinha e seu regional; o programa a consagrou como entrevistadora e a tornou líder absoluta de audiência da época. Durante a Jovem Guarda muitas personalidades e novos talentos passaram pelo "sofá da Hebe", no qual eram entrevistados em um papo descontraído. Logo depois, a apresentadora Cidinha Campos veio ajudá-la nas entrevistas. Hebe também arranjava tempo para o seu programa diário na Rádio Panamericana (Jovem Pan). Em 1970 estrelou sua única telenovela, As Pupilas do Senhor Reitor, também na Record TV, interpretando a cantora de cabaré Magali, que chegava no vilarejo causando alvoroço nos homens. Em 1973 decidiu deixar a Record e levar seu programa para a Rede Tupi, porém devido as interferências da direção nas pautas encerrou seu vínculo com o canal em 1975. Hebe passou os quatro anos seguintes longe da carreira, dedicando-se apenas à infância do filho.

Em 1979 a família Saad, proprietários da Band, convenceram Hebe a retomar seu programa de entrevistas, reestreando ele inicialmente aos domingos e, a partir de 1980, nas noites de segunda-feira. Em 1985 em meio a uma transmissão ao vivo de seu programa, jogou o microfone no chão e reclamou que a emissora estava sucateando seu programa, uma vez que estava há 6 anos com o mesmo cenário, além de sua produção ter sido cortada pela metade e haver problemas para levar artistas.  No fim de 1985, ainda incomodada com o descaso com seu programa, decide deixar a Band e assinar com o SBT, onde estrearia em 4 de março de 1986.

Em 1986, Hebe foi para o SBT, onde apresentou três programas: Hebe, no ar até 2010, Hebe por Elas e Fora do Ar, além de participar do Teleton e em especiais humorísticos, Romeu e Julieta, em que contracenou com Ronald Golias e Nair Bello, artistas que foram grandes amigos da apresentadora e de um quadro do espetáculo da entrega do Troféu Roquette Pinto. O programa Hebe entrou no ar pela emissora em 4 de março de 1986.  A apresentadora recebia convidados para pequenos debates e apresentações musicais. Em 1995, a gravadora EMI lançou um CD com os maiores sucessos de Hebe. Em 1999 voltou a lançar um CD. Em 22 de abril de 2006 comemorou o milésimo programa pelo SBT. Ela também tinha participado em atividades sociais, tais como tomar parte no Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros (Cansei), um protesto crítico iniciado em 2007 sobre o governo brasileiro. No dia 7 de abril de 2000 participou, junto a Lolita Rodrigues e Nair Bello de uma entrevista no Programa do Jô na Rede Globo. e falaram sobre o tão temido hino à 'televisão brasileira'. Na véspera de ano novo em Miami a apresentadora se queixou de dor abdominal intensa. Em 8 de janeiro de 2010 ela foi submetida a uma videolaparoscopia para a retirada de nódulos na região abdominal e após a uma biópsia se confirmou que ela tinha um tumor primário de peritônio um tipo de câncer raro. Após a cirurgia e a quimioterapia, ela voltou a trabalhar em 8 de março de 2010.

Em 28 de abril de 2010, Hebe foi submetida a um exame clínico no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O exame constatou que o câncer descoberto em janeiro havia sido curado, e o tratamento não mais era necessário.  Em 2010, aos 81 anos, Hebe Camargo gravou seu primeiro álbum ao vivo, Hebe Mulher e Amigos, com duas apresentações, uma em São Paulo, no Rio de Janeiro. Em 11 de dezembro de 2010, a apresentadora com permissão do SBT, gravou com o apresentador Fausto Silva o Domingão do Faustão da Rede Globo, onde recebeu o Troféu Mario Lago de 2010. Por volta das 16h30min de 13 de dezembro de 2010, ao final da gravação do especial de Réveillon de seu programa no SBT, Hebe, surpreendeu a todos, e leu uma carta de próprio punho para seu público informando que aquela foi a sua última atuação como funcionária do SBT. Estava ela se despedindo da emissora de Silvio Santos, depois de 24 anos. O contrato dela com o SBT venceria no dia 31 de dezembro, mas diante disto Hebe confirma que não renovaria com a emissora. Após sua saída do SBT, ela assinou contrato com a RedeTV!  para receber 500 mil reais por mês, mais 50% de todos os merchandisings do programa.

Ela estreou na RedeTV! em 16 de março de 2011 ocupando o terceiro lugar na audiência na Grande São Paulo. O programa possuía o mesmo formato do seu programa na antiga emissora sendo exibido às terças-feiras. Em 8 de janeiro de 2012 Hebe foi internada no hospital Albert Einstein, na cidade de São Paulo. Informações preliminares adiantavam que ela passaria por uma cirurgia para a retirada de um tumor no estômago. Um boletim emitido posteriormente pelo hospital divulgou que Hebe foi submetida a uma laparoscopia diagnóstica, que encontrou nódulos, atestando ser um tipo raro e de difícil tratamento do câncer no peritônio. O resultado da análise confirmou a existência de um tumor primário na região. Em junho de 2012, Hebe foi internada para ser submetida a uma cirurgia de retirada da vesícula biliar. Em julho do mesmo ano foi novamente internada por motivo não divulgado oficialmente. 

A última exibição do programa Hebe na RedeTV! ocorreu no dia 25 de setembro de 2012 em uma edição especial de despedida da emissora. Dois dias após a exibição do especial, o SBT anunciou a volta da apresentadora a casa. 

Hebe morreu em 29 de setembro de 2012, em São Paulo aos 83 anos após sofrer uma parada cardíaca de madrugada, enquanto dormia. O corpo foi velado no Palácio dos Bandeirantes sede do governo do estado de São Paulo e sepultado no cemitério Gethsemani. 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hebe_Camargo

 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Mulher na história: Patrícia Galvão, a Pagu.




Olá pessoal!

Pagu foi uma mulher muito à frente do seu tempo, creio que se vivesse no século 21 continuaria sendo uma pessoa de vanguarda.

Ela foi personagem da série da Globo Um só coração.

Vamos saber mais sobre ela.


Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, foi uma das mais polêmicas figuras femininas da história brasileira no século XX. Nascida no seio de uma família burguesa, em 1910, Pagu afastou-se de sua classe social, passando a militar junto ao Partido Comunista Brasileiro, o que lhe rendeu mais de 20 prisões.

Bem antes de se tornar Pagu, apelido que lhe foi dado pelo poeta Raul Bopp, Zazá, como era conhecida em família, já era uma mulher avançada para os padrões da época, com seu comportamento considerado extravagante e defendendo as causas feministas. Fumava e bebia em público, usava roupas colantes e transparentes, usava cabelos curtos, manteve diversos relacionamentos amorosos, e costumava falar palavrões. Seu comportamento rebelde e à frente do seu tempo não era compatível com sua origem familiar, conservadora e tradicional. Em 1925, com quinze anos, mudou-se com a família para a capital paulista, onde conseguiu o primeiro emprego, como redatora, passando a escrever críticas contra o governo e contra as injustiças sociais, em uma coluna de notícias do Brás Jornal, assinando com o pseudônimo de Patsy.

Embora tenha se tornado a musa dos modernistas, Pagu não participou da Semana de Arte Moderna. Tinha apenas doze anos em 1922, quando a Semana se realizou. Entretanto, aos dezoito anos, pouco depois de completar o curso na Escola Normal da capital paulista, integra-se ao movimento antropofágico, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

Pagu, que já havia se relacionado com homens famosos e anônimos, solteiros e casados, iniciou um novo romance secreto, desta vez com Oswald de Andrade, em 1928, enquanto ele ainda era casado com Tarsila do Amaral. Em 1929 a separação de Oswald para ficar com Pagu causou grande escândalo social. No dia 1º de abril de 1930 causou grande repercussão, quando "casou-se" com Oswald de Andrade, em uma cerimônia pouco convencional: o acontecimento foi simbólico, realizado no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Ambos casaram-se oficialmente no civil e na igreja apenas no mês seguinte, com Pagu já grávida de seis meses, o que foi um escândalo. Em 25 de setembro de 1930 nasceu o filho do casal, Rudá de Andrade. O casal tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro, fundando juntos o jornal O Homem do Povo, que durou até 1945, quando Oswald rompeu com o partido comunista. Em junho de 1934 desquitaram-se, devido as constantes traições de Oswald, e Pagu saiu de casa com o filho para morar sozinha, outro grande escândalo social para a época.

Pagu foi libertada em 1933, quando publicou, sob o pseudônimo de Mara Lobo, o romance Parque Industrial, que foi considerado o primeiro romance proletário da literatura brasileira. Ela partiu logo após em viagem para a Europa e outros locais do mundo como repórter. Na França, passou a frequentar alguns cursos na Sorbonne e, em 1935, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Foi pega pela polícia francesa com documentos falsos, o que lhe garantiu mais uma prisão. Foi liberada após intervenção do embaixador brasileiro Souza Dantas junto ao governo francês.

Pagu entrevistou Sigmund Freud e participou da coroação do último imperador chinês Pu-Yi, de quem obteve as primeiras sementes de soja que foram trazidas ao Brasil. Ao voltar ao país, separou-se de Oswald de Andrade, com quem tinha um filho, Rudá de Andrade. Retomou a atividade jornalística, sendo presa novamente pelas forças repressivas do Estado Novo, ficando cinco anos na prisão.

Em 1935, foi presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, sendo repatriada para o Brasil. Retomou sua atividade jornalística, criticando a ditadura militar. Sua nova identidade falsa foi descoberta, e Pagu foi novamente presa e torturada pelas forças da ditadura de Getúlio Vargas. Desta vez acabou ficando na cadeia por cinco anos, o que a levou a um intenso desespero, ampliando ainda mais sua capacidade artística e criativa. Nesse período, seu filho foi criado por Oswald. Ele levava o menino para visitar a mãe em alguns finais de semana.

Ao sair da prisão, em 1940, rompeu com o Partido Comunista, passando a defender um socialismo de linha trotskista. Integrou a redação do periódico Vanguarda Socialista junto com Geraldo Ferraz, o crítico de arte Mário Pedrosa, Hilcar Leite e Edmundo Moniz. No mesmo ano iniciou um relacionamento com Geraldo Ferraz e no ano seguinte foram morar juntos. Desta união, que durou até o fim de sua vida, nasceu seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz, em 18 de junho de 1941. Pagu voltou a criar seu filho mais velho, e passou a morar com seus dois filhos e o marido na capital paulista. Em 1945, lançou um novo romance, A Famosa Revista, escrito em parceria com o marido, Geraldo Ferraz. Tentou, sem sucesso, uma vaga de deputada estadual nas eleições de 1950.

Em 1952 frequentou a Escola de Arte Dramática de São Paulo, levando seus espetáculos teatrais a Santos. Conhecida como grande animadora cultural em Santos, lá passou a residir com o marido e os filhos, no ano de 1953.

Escreveu também contos policiais, sob o pseudônimo King Shelter, publicados originalmente na revista Pulp Detective, publicada pelo Diários Associados e dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, e depois reunidos em Safra Macabra (Livraria José Olympio Editora, 1998). Em seu trabalho, junto a grupos teatrais, revelou e traduziu grandes autores até então inéditos no Brasil como James Joyce, Eugène Ionesco, Fernando Arrabal e Octavio Paz.

Ainda trabalhava como crítica de arte quando foi acometida por um câncer de pulmão em 1960. Viajou a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos. Ela passou a morar na capital francesa com seu marido, para continuar realizando tratamento quimioterápico, e mensalmente recebia a visita dos filhos. Decepcionada e desesperada por estar doente, sem poder trabalhar com arte, seu maior prazer, e necessitando ficar sempre acamada, Patrícia desenvolveu uma profunda depressão, e tentou o suicídio, tentando dar um tiro na própria cabeça, sendo impedida pelo marido, ferindo-se apenas de raspão. Sobre o episódio, escreveu no panfleto "Verdade e Liberdade": "Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas". Após dois anos de tratamento, foi desenganada pelos médicos e voltou ao Brasil, morrendo em Santos um mês depois, em 12 de dezembro de 1962, aos 52 anos.

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pagu

https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/pagu-primeira-presa-politica-brasil.htm#:~:text=Patr%C3%ADcia%20Rehder%20Galv%C3%A3o%2C%20a%20Pagu,rendeu%20mais%20de%2020%20pris%C3%B5es.

 



 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Mulher na história: Rosalind Franklin

Olá pessoal!

Rosalind foi muito importante para ciência, só fui tomar conhecimento dela por conta de uma exposição no colégio que eu presto serviço em homenagem ao dia das mulheres.

Achei a história dela incrível!

Mais uma mulher que está na história. Vamos saber mais sobre ela.


Pioneira nas pesquisas de biologia molecular, a biofísica britânica Rosalind Franklin ficou conhecida no meio científico por seu trabalho sobre a difração dos raios-x, além de ter descoberto o formato helicoidal do DNA e ganhar o título póstumo de “mãe do DNA”.

Por ser, talvez, umas das mulheres mais injustiçadas da ciência moderna, o reconhecimento de Rosalind foi impedido pelo seu chefe, o biólogo molecular Maurice Wilkins, nos anos 1950. Wilkins não a aceitava como autora da descoberta do formato helicoidal do DNA e chegou a ofender Rosalind em diversas cartas que trocou com outros cientistas da mesma área de atuação.

Nascida em Londres em 1920, Rosalind Franklin se destacou nas aulas de ciências desde muito nova, tendo estudado em uma das poucas escolas para garotas que ensinavam física e química na sua época. Decidiu que queria ser cientista aos 15 anos, contrariando a vontade de seus pais, que não viam futuro para ela nessa área dominada por homens e gostariam que sua filha estudasse serviço social. Em 1939, entrou no Newham College, que faz parte da universidade de Cambridge, graduando-se em físico-química em 1941. No ano seguinte, Rosalind tornou-se pesquisadora, analisando a estrutura física de materiais carbonizados usando raios-x.

Já trabalhando na British Coal Utilization Research Association, desenvolveu estudos que se tornaram fundamentais sobre as microestruturas do carbono e do grafite – assuntos que foram a base de seu doutorado em físico-química em Cambridge, em 1945. Entre 1947 e 1950, Franklin trabalhou no Laboratoire Central des Services Chimiques de L’Etat, em Paris, onde usou a técnica da difração dos raios-x para analisar materiais cristalinos.

No ano seguinte, acabou voltando para a Inglaterra, onde se juntou à equipe de biofísicos do King’s College Medical Research Council no laboratório de biofísica de Maurice Wilkins. Lá b, a cientista começou a aplicar seus estudos com difração do raio-x para determinar a estrutura da molécula do DNA. Suas observações e anotações permitiram aos bioquímicos James Dewey Watson e Francis Crick, juntamente de seu chefe Wilkins, confirmar a dupla estrutura da molécula do DNA, o que rendeu ao trio o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1962.

Rosalind conduziu o estudo que permitiu a observação do formato helicoidal do DNA, mas seu nome não levou os créditos pela descoberta. Por isso, a cientista é tida como uma das mulheres mais injustiçadas da ciência moderna e, nessa época, foi vítima de ofensas diversas por parte de Wilkins, que chegou a chamá-la de bruxa e conspirar contra a cientista junto a outros profissionais da área.

Em 1953, a cientista acabou se mudando para o laboratório de cristalografia J.D Bernal, do Birkbeck College, em Londres. Lá, Rosalind deu continuidade a seu trabalho sobre a estrutura mosaical do vírus do tabaco e, quando começou a pesquisar sobre o vírus da poliomielite em 1956, descobriu que estava com câncer no ovário.

Seu último trabalho foi publicado em 1958, sobre as estruturas do carvão, e Rosalind Franklin acabou morrendo jovem, aos 37 anos, por conta do câncer descoberto tardiamente.

Nos anos 1950, as mulheres ainda eram extremamente desvalorizadas na academia. Em muitas universidades, por exemplo, apenas homens tinham permissão para utilizar os restaurantes do campus, e diversos estabelecimentos não permitiam a entrada de mulheres, sobrando a elas os espaços exclusivamente femininos (que não costumavam ser exatamente científicos).

Nesse contexto surge a tensão entre Rosalind e Wilkins por conta da autoria da descoberta da estrutura dupla do DNA. Em cartas reveladas nos anos recentes, trocadas por Crick e Watson com Wilkins, os cientistas a chamavam de “bruxa” e conspiravam contra a presença dela no laboratório. “Espero que a fumaça de bruxaria saia logo das nossas vistas”, escreveu Wilk em uma carta enviada a Francis Crick em 1953.

Dois grupos competiam para mostrar como era exatamente a construção do DNA: de um lado, Wilkins, chefe do laboratório onde Rosalind trabalhava; do outro, Crick e Watson, em Cambridge. Apesar da rivalidade entre os dois grupos para ver de quem seria a primeira descoberta, eles acabaram se unindo contra Rosalind, que foi autora da “fotografia 51” – imagem com ótima definição do DNA obtida pela cientista, sendo o melhor registro fotográfico da estrutura já obtido até então. No entanto, a cientista observou as imagens por nove meses, mas não teve o insight de perceber que a estrutura se tratava de uma dupla hélice.

Intrigado, um aluno de Franklin levou (sem o consentimento da cientista) a tal fotografia para Wilkins, com o intuito do chefe do laboratório dar alguma observação interessante. Wilkins então se apossou da imagem, compartilhando-a com seus colegas de Cambridge. Foi então que Crick e Watson tiveram o insight que Rosalind não teve e, em 1953, publicaram na renomada revista Nature um artigo com a proposta da estrutura, que é aceita até os dias de hoje. Rosalind Franklin não foi citada no documento, e seu nome foi totalmente deixado de fora da descoberta.

Quando morreu, em 1958, a cientista não tinha obtido o justo reconhecimento pelo seu trabalho, que foi essencial para as conclusões do trio ganhador do prêmio Nobel. A cientista não ganharia a premiação, de qualquer forma, pois não há Nobel póstumo.

Contudo, as cartas trocadas pelo trio mostram que eles tinham plena consciência de que não teriam conseguido essa façanha profissional sem o trabalho de Rosalind. Somente a partir dos anos 1960 que ela passou a ser reconhecida pela comunidade científica como autora das imagens que permitiram a observação da dupla hélice e, no ano 2000, o próprio Watson acabou citando o nome de Franklin como tendo papel fundamental para sua descoberta. Segundo ele, a cientista só não soube interpretar seus próprios dados, e Rosalind Franklin acabou ficando conhecida como a “dama sombria” da descoberta da dupla hélice do DNA. Contudo, Watson, mesmo idoso, não deixa de se envolver em novas polêmicas: recentemente ele declarou que negros são menos inteligentes do que brancos e que seria uma ótima ideia usar a genética para deixar todas as mulheres mais bonitas.

Fonte: https://canaltech.com.br/internet/mulheres-historicas-rosalind-franklin-a-injusticada-mae-do-dna-78101/

Rosalind Franklin 


 

@renatafashionfonseca