Uma mulher que
deixou sua marca na história, foi uma grande cientista.
Faleceu recentemente
no dia 31 de agosto de 2026, aos 87 anos.

Ada E. Yonath
(Jerusalém, 22 de junho de 1939 – 31 de agosto de 2026) foi uma cientista
israelense, ganhadora do Prêmio Nobel de Química de 2009, juntamente com
Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz. Ficou conhecida pelos seus trabalhos
pioneiros sobre a síntese da estrutura atômica do ribossomo, com o método:
cristalografia de raio-x. Foi diretora do Centro Milton A. Kimmelman de
Estrutura Biomolecular do Instituto Weizmann da Ciência.
Foi a primeira
mulher do Oriente Médio a ganhar um Nobel em ciências e a primeira mulher em 45
anos a ganhar um Nobel em Química.
Yonath nasceu em
Geula, Jerusalém. Filha de Hillel e Esther Lifshitz, judeus sionistas que
imigraram à região da Palestina, vindos de Zduńska Wola, na Polônia em 1933,
antes do estabelecimento do estado de Israel.
Seu pai, rabino,
vinha de uma família com longa tradição rabínica. Eles se estabeleceram em
Jerusalém, onde abriram uma mercearia, mas era difícil de manter as despesas.
Eles moravam em casas apertadas com várias outras famílias, e Yonath lembra que
"livros" eram a única coisa que ela tinha para mantê-la ocupada.
Apesar da vida humilde, seus pais a mandaram para uma boa escola em Beit
HaKerem, bairro nobre de Jerusalém, para assegurar sua boa educação.
Seu pai morreu aos
42 anos e a família se mudou para Tel Aviv. Yonath foi aceita na escola de
ensino médio Tichon Hadash, embora sua mãe não tivesse como pagar a
mensalidade. Em troca, ela deu aulas particulares de matemática. Quando jovem,
diz que foi inspirada pela cientista polonesa e naturalizada francesa Marie
Curie. Depois de ler uma biografia mais detalhada, afirmou que Curie não era um
modelo a ser seguido.
Voltou para
Jerusalém para cursar a faculdade na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde
obteve o bacharelado em química, em 1962 e mestrado em bioquímica em 1964. Em
1968 obteve um doutorado no Instituto Weizmann de Ciência, estudando a
estrutura do colágeno através da cristalografia de raios-X, tendo Wolfie Traub
como orientador.
Ada fez
pós-doutorado na Universidade Carnegie Mellon, em 1969 e no Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), em 1970. No MIT, Ada trabalhou no
laboratório do ganhador do Nobel em Química de 1976, William Lipscomb, da
Universidade Harvard, onde ela se inspirou a estudar estruturas bioquímicas
maiores.
Em 1970, ela
estabeleceu aquele que permaneceu como sendo o único laboratório de
cristalografia de proteínas de Israel. De 1979 a 1984, ela foi chefe de
pesquisas com Heinz-Günter Wittmann, no Instituto Max Planck de Genética
Molecular, em Berlim. Visitou a Universidade de Chicago, de 1977 a 1978.
Dirigiu a unidade de pesquisa do Deutsches Elektronen-Synchrotron (DESY), da
Instituto Max Planck, em Hamburgo, de 1986 a 2004, em paralelo com seu trabalho
no Instituto Weizmann.
Ada foca nos
estudos dos mecanismos por trás da biossíntese de proteínas através da
cristalografia de ribossomos, linha de pesquisa pioneira vinte anos atrás,
apesar do ceticismo da comunidade internacional. Ribossomos traduzem o RNA em
proteínas. Suas estruturas são ligeiramente diferentes em micro-organismos,
quando comparadas com células eucariontes, como células humanas, o que os fazem
alvo para antibióticos. De 2000 a 2001, Ada determinou a estrutura completa, em
alta resolução, de ambas as estruturas ribossômicas, e descobriu dentro do
ribossomo de outra forma assimétrico, a região simétrica universal que fornece
a estrutura e navega o processo de polimerização polipeptídica.
Consequentemente, ela mostrou que o ribossomo é uma ribozima que coloca seus
substratos em estereoquímica adequada para a formação de ligações
polipeptídicas e para a catálise por meio de substrato. Em 1993, ela visualizou
o caminho tomado pelas proteínas, chamado de túnel ribosomal.
Ada também
elucidou os modos de agir de vinte diferentes antibióticos que têm como alvo o
ribossomo, iluminando mecanismos que causam resistência, decifrando as bases
estruturais para a seletividade dos antibióticos.
Fontes