RENATA FONSECA: 2026 Mulheres na história
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Mulher na história: Historiadora Dame Winifred Mary Beard .

 Olá pessoal!

Passei a conhecer essa que é historiadora em post do Instagram.
Como sempre fui dar uma pesquisada sobre Dame 
Winifred Mary Beard.



Dame Winifred Mary Beard (nascida em 1 de janeiro de 1955) é uma classicista inglesa especializada em Roma Antiga.

Ela é professora de estudos clássicos na Universidade de Cambridge, bolsista do Newnham College e professora de literatura antiga da Academia Real Inglesa. Ela é editora sobre os estudos clássicos do The Times Literary Supplement, onde também escreve o blog "A Don's Life". Suas frequentes aparições na mídia e, às vezes, declarações públicas controversas levaram-na a ser descrita como "a antiquista mais conhecida da Grã-Bretanha".

Mary Beard, filha única, nasceu em 1º de janeiro de 1955 em Much Wenlock, Shropshire. Sua mãe, Joyce Emily Beard, foi diretora de uma escola e leitora entusiasmada. Seu pai, Roy Whitbread Beard, trabalhou como arquiteto em Shrewsbury.

Beard começou a se interessar pelos clássicos durante uma visita ao Museu Britânico com sua mãe, em 1960. Ela descreve estar sentada nos ombros da mãe, tentando ver um pãozinho do Antigo Egito. Um curador do museu percebeu sua dificuldade, destrancou a vitrine e permitiu que ela visse o pãozinho. Ela descreve o espanto que sentiu com a banalidade do objeto como um catalisador para seu interesse pela história.  Ela dedicou seu livro de 2026, Talking Classics: The Shock of the Old, a esse curador. 

Beard foi educada na Shrewsbury High School, uma escola para meninas.

Aos 18 anos, ela fez o exame de admissão obrigatório e a entrevista para a Universidade de Cambridge, pleiteando uma vaga no Newnham College, uma faculdade unissexo. 

Beard se formou em Cambridge com o grau de Bacharel em Artes (BA) e de acordo com a tradição, seu BA foi posteriormente promovido ao grau de Mestre em Artes (MA Cantab). Ela permaneceu em Cambridge para obter o grau de Doutor em Filosofia (PhD), que concluiu em 1982 com uma tese de doutorado intitulada A Religião do Estado no Final da República Romana: Um Estudo Baseado nas Obras de Cícero.

Entre 1979 e 1983, Beard lecionou estudos clássicos no King's College, em Londres. Ela voltou a Cambridge em 1984 como Fellow do Newnham College e a única professora do corpo docente de estudos clássicos. 

Beard casou-se com Robin Cormack, um classicista e historiador da arte, em 1985. Sua filha, Zoe, é antropóloga e historiadora e trabalha no Centro de Estudos Africanos da Universidade de Oxford. Seu filho, Raphael Cormack é autor, editor e tradutor especializado em História Cultural e Literatura Árabe.

John Sturrock, editor de estudos clássicos do The Times Literary Supplement, foi quem a convidou para atuar no jornalismo literário. Beard assumiu seu cargo em 1992 a pedido de Ferdinand Mount.

Em 2004, Beard tornou-se professora de estudos clássicos em Cambridge. Ela atuou como Professora Visitante de Literatura Clássica em 2008–2009 na Universidade da Califórnia em Berkeley, onde proferiu uma série de palestras sobre "Riso Romano". 

Em 2017, Beard foi alvo de consideráveis abusos online depois que ela argumentou que a Grã-Bretanha romana era mais etnicamente diversa do que normalmente se supõe. A fonte da controvérsia foi um vídeo educacional da BBC retratando um soldado romano sênior como um homem negro, que Beard defendeu veementemente depois que o vídeo foi mal recebido.  

Clifford Ando, ​​classicista da Universidade de Chicago, descreveu a erudição de Beard como tendo dois aspectos principais em sua abordagem às fontes. Um é que ela insiste que as fontes antigas sejam entendidas como documentação das atitudes, contexto e crenças de seus autores, não como fontes confiáveis ​​para os eventos que abordam. O outro é que ela argumenta que as histórias modernas de Roma devem ser contextualizadas dentro das atitudes, visões de mundo e propósitos de seus autores. 

Em abril de 2013, ela foi nomeada Professora de Literatura Antiga da Royal Academy of Arts. Beard recebeu um título honorário da Universidade de Oxford em junho de 2018. Ela também recebeu um título honorário da Universidade de Yale em maio de 2019. 

Em 2020, Beard foi nomeada curadora do Museu Britânico

Em janeiro de 2025, foi anunciado que Mary Beard se tornaria embaixadora do National Trust.

https://en.wikipedia.org/wiki/Mary_Beard

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Beard_(antiquista)

 


 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mulher na história: Camille Claudel

Olá pessoal!

Estava passeando pelo Instagram e li uma postagem interessante sobre mulheres casadas com grandes artistas e escritores que também tinham seus trabalhos, mas que não eram valorizadas por serem mulher.

Começando por Camille, conhecia de nome e mais nada. 


Um pouco sobre essa grande artista.

Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (Fère-en-Tardenois, 8 de dezembro de 1864 – Montdevergues, 19 de outubro de 1943) foi uma escultora e artista francesa. Faleceu na obscuridade, mas sua obra ganhou reconhecimento por sua originalidade décadas após a morte.

Já moça Camille estudou na Académie Colarossi, um dos poucos lugares abertos a estudantes mulheres com o escultor Alfred Boucher. Em 1882, alugou um ateliê com outras mulheres, a maioria inglesa. Alfred Boucher era seu mentor e lhe concedeu a inspiração e encorajamento que recaiu sobre toda uma geração de novos escultores. Camille esculpiria um busto dele em gratidão. Antes de mudar-se para Florença, depois de ter lecionado para Camille e as colegas por mais de três anos, Alfred perguntou a Auguste Rodin se ele não gostaria de assumir a instrução de suas alunas. Foi assim que o tumultuado e controverso o relacionamento começou, ela então com 19 anos.

Por volta de 1884, Camille começa seus estudos na oficina de Rodin. Ela se torna sua inspiração, sua modelo, confidente e amante. Camille nunca morou junto de Rodin, que relutava em terminar seu relacionamento com Rose Beuret. O conhecimento de seu caso com o escultor desagradou a família, em especial sua mãe, que a rejeitava por não ter nascido menino (e tendo nascido após a morte de primeiro bebê) e nunca concordou com seu envolvimento com as artes. Como resultado, Camille deixou a residência da família e após sofrer um aborto em 1892, terminou o relacionamento íntimo que tinha com Rodin, apesar de continuar a vê-lo com frequência até 1898.

Camille transcendia os padrões convencionais para esculturas em sua época e até nas décadas seguintes. Alguns classificavam seus trabalhos como sendo ainda mais viris que obras feitas por artistas homens e que sua escultura possuía a assinatura que apenas os gênios em suas áreas possuem.

Ela teria percebido após algum tempo de envolvimento com o escultor que ele a explorava e que ela nunca seria obediente como Rodin queria, reconhecendo em seguida como a sociedade explorava as mulheres. 



Quando Rodin viu a escultura A Idade Madura pela primeira vez em 1899, sua reação foi de choque e fúria. Imediatamente ele cessou seu suporte a Camille e pressionou o ministro de belas artes que cancelasse pagamentos para obras em bronze. Esculpir era uma arte cara e Camille recebia poucas encomendas devido ao seu estilo pouco comum para o gosto da época, o que a endividou.

Apesar de ter destruído parte de seu acervo, cerca de 90 estátuas de Camille sobreviveram. A força e a grandiosidade de seu talento estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.

De 1903 em diante Camille começa a exibir seus trabalhos no Salão de Paris, ou no Salon d'Automne. É considerada pelos críticos de arte e escritores como um gênio da escultura, uma revolta contra os padrões estabelecidos para as mulheres. Seus trabalhos iniciais podem demonstrar influência de Rodin, mas mostram seu conhecido lirismo e farta imaginação.

Após 1905, Camille pareceu desenvolver algum transtorno mental. Ela destruiu muitas de suas obras, desaparecia por longos períodos de tempo e exibia sinais de paranoia, tendo sido diagnosticada com esquizofrenia. Ela acusava Rodin de roubar suas ideias e de armar um complô para assassiná-la. 

Seu pai aprovava seu estilo de vida e sua escolha profissional e a manteve financeiramente até sua morte em 2 de março de 1913, fato que não foi informado a Camille. Dias depois, em 10 de março, seu irmão Paul Claudel internou-a abusivamente no hospital psiquiátrico de Ville-Évrard, em Neuilly-sur-Marne. No formulário diz que o internamento foi "voluntário", mas foi assinado apenas pelo irmão de Camille e pelo médico responsável. Há registros que mostram que, embora ela tenha tido surtos, estava completamente lúcida enquanto trabalhava na sua arte. Os médicos tentaram convencer a família de que Camille não precisava de ser internada, mas mesmo assim eles a mantiveram lá.

Em 1914, os pacientes foram transferidos para Enghien, para se protegerem do avanço de tropas alemãs. Em 7 de setembro de 1914, Camille foi transferida, junto de várias mulheres, para o Asilo de Montdevergues, em Montfavet, a seis quilômetros de Avignon. Sua mãe proibiu Camille de receber cartas de qualquer pessoa, a não ser do irmão. O hospital propôs novamente que Camille não tinha por que ser mantida encarcerada, mas a família se recusava a lhe dar a dispensa. Em 1º de junho de 1920, o médico Dr. Brunet mandou uma carta à mãe para que tentasse reintegrar a filha ao convívio familiar, mas nunca recebeu resposta.

Seu irmão Paul Claudel a visitou apenas setes vezes em 30 anos: 1913, 1920, 1925, 1927, 1933, 1936, 1943. Sempre se referia às visitas como tensas. Sua irmã Louise a visitou apenas uma vez, em 1929. Sua mãe, porém, nunca a visitou. 

Camille Claudel faleceu em 19 de outubro de 1943, após viver 30 anos no hospício de Montfavet. Em setembro de 1943, Paul foi informado sobre a doença terminal de sua irmã, tendo dificuldades de atravessar a França ocupada, durante a Segunda Guerra Mundial, mas não estava presente nem na sua morte nem em seu funeral. Sua mãe faleceu em 20 de junho de 1929 e sua irmã também não foi a Montfavet. O corpo de Camille foi enterrado no cemitério da instituição em uma vala comum.

Ela morreu sozinha em 1943. Hoje em dia, seu talento é celebrado e ela ganhou um museu em sua homenagem na França, o Museu Camille Claudel.

Fonte

https://pt.wikipedia.org/wiki/Camille_Claudel        

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mulher na história: Marion O'Brien.

Olá pessoal!

Descobrindo mulheres incríveis! Marion em busca de praticidade inventou a calça enxuta a irmã mais velha das fraldas descartáveis.


Sobre ela

Marion O'Brien Donovan  nasceu em 15 de outubro de 1917, em South Bend, Indiana.    Donovan passava a maior parte de seu tempo livre na fábrica da família, onde aprendeu o básico de máquinas e engenharia. Seu pai até a ajudou a produzir sua primeira invenção, ela criou um novo tipo de pó para limpeza dos dentes ainda no ensino fundamental. Após se formar na faculdade, trabalhou como editora em revistas femininas em Nova York, antes de se casar e se estabelecer em Connecticut.

Como uma jovem mãe cansada de trocar lençóis molhados de berço, que Donovan teve sua inspiração. Na opinião dela, as fraldas de pano “serviam mais como um pavio do que como uma esponja”, enquanto as calças de borracha causavam assaduras dolorosas. Então, ela decidiu fazer algo melhor. Ela puxou a cortina do chuveiro, cortou-a em pedaços e costurou-a para fazer uma capa de fralda impermeável com botões de pressão em vez de alfinetes de segurança. 




Esse design eliminou as calças de borracha padrão da época, usando um tecido respirável, porém resistente a vazamentos. Essas melhorias também não restringiam os movimentos do bebê. O design criou uma bolsa para o absorvente da fralda, mantendo a fralda molhada longe do bebê. O produto final foi feito de tecido de nylon de paraquedas, pois o material permitia que a pele do bebê respirasse. Quando Donovan tentou vender o "Boater" para os principais fabricantes, foi rejeitado. Portanto, ela começou a fabricá-lo por conta própria.

A estreia das capas de fralda ocorreu na Saks Fifth Avenue de Nova York em 1949. Foi um sucesso imediato. Os gerentes da loja não conseguiam manter as prateleiras abastecidas. Assim, as vendas aumentaram, revelando uma forte demanda de mercado por um produto que reduzia muito a quantidade de roupa para lavar e melhorava a higiene infantil.

A patente de Donovan foi concedida em 1951. Nesse mesmo ano, ela vendeu sua empresa e os direitos para a Keko Corp por US$ 1 milhão. Nessa época, ela estava desenvolvendo uma nova ideia além de suas capas de fraldas de pano impermeáveis. Era uma inovação ainda mais essencial: a fralda descartável de papel. Ela precisava criar um tipo especial de papel que não fosse apenas forte e absorvente, mas que também afastasse a água da pele do bebê para evitar assaduras. Após muita experimentação, Donovan projetou uma fralda descartável que visava resolver ainda mais o problema dos vazamentos de fraldas.

No entanto, Donovan não obteve sucesso imediato com sua inovação. Ela levou seu produto finalizado a todos os grandes fabricantes do país, mas ninguém se interessou. Ela foi ridicularizada pelas empresas de papel americanas por propor um item tão desnecessário e impraticável.  Foi somente uma década depois, em 1961, que Victor Mills, criador da Pampers, capitalizou a ideia de Donovan para produzir fraldas totalmente descartáveis ​​e mais absorventes. Hoje, estima-se que 95% dos bebês nos EUA usem fraldas descartáveis.

Entretanto, Donovan havia retornado à faculdade para estudar arquitetura. Ela obteve um diploma em arquitetura na Universidade de Yale em 1958. Ela era uma das apenas três mulheres em sua turma de formandos. Donovan posteriormente projetou sua própria casa em Greenwich, Connecticut, em 1981.

Entre os anos de 1951 e 1996, Donovan obteve 20 patentes. As invenções visavam solucionar problemas práticos em casa. Entre elas, uma caixa de lenços de papel (1953), um dispensador de toalhas (1957), um prendedor de meias (1962), uma caixa organizadora (1966), um organizador de armário (1979), uma saboneteira, o "Zippity-Do", um cordão elástico que se conectava ao zíper nas costas de um vestido, passando pelo ombro, e o DentaLoop, um fio dental que, assim como suas capas de fraldas impermeáveis, ela optou por fabricar e comercializar por conta própria. Dessa forma, as vendas aumentaram, revelando uma forte demanda de mercado por um produto que reduzia consideravelmente a quantidade de roupa para lavar e melhorava a higiene infantil.

Donovan morreu em 4 de novembro de 1998, de doença cardíaca, aos 81 anos, no Lenox Hill Hospital em Manhattan.

Após a morte de Donovan em 1998, seus filhos doaram seus documentos ao Centro de Arquivos do Museu Nacional de História Americana do Smithsonian; a aquisição fez parte do Programa de Documentação de Inventores Modernos do Centro Lemelson para o Estudo da Invenção e Inovação. As 17 caixas de artefatos contêm anotações, desenhos, patentes, pedidos de clientes, anúncios, artigos de jornal, um álbum de recortes, documentos pessoais e fotografias. A coleção é frequentemente utilizada por pesquisadores, principalmente aqueles que estudam a história das mulheres ou a história da tecnologia, afirma a arquivista do Centro Lemelson, Alison Oswald.

Fontes

https://en.wikipedia.org/wiki/Marion_Donovan

Visão geral criada por IA

https://www.smithsonianmag.com/innovation/meet-marion-donovan-mother-who-invented-precursor-disposable-diaper-180972118/

 


 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Mulher na história: Michelle Perrot

Olá pessoal!

Michelle Perrot é uma mulher que está na história, trazendo nos seus estudos e pesquisas sobre a história das mulheres.

Li vários artigos dela na faculdade.

Um pouco sobre a historiadora.



Michelle Perrot (Paris, 18 de maio de 1928) é uma historiadora e professora emérita da Universidade Paris VII, universidade para qual mudou nos anos 70 sob o impacto de 1968 após ter lecionado na Sorbonne, França. Em 2009 ganhou o Prémio Femina de Ensaio.

Perrot apresentou seu pai como um “négociant en cuir” (negociante de couro), dono de uma loja no bairro. A família vivia na rua Greneta, em um bairro extremamente vivo e popular. Esse cenário formativo explica a intimidade precoce de Michelle com os territórios que traziam o trabalho, a pobreza e os “corpos” que a ordem burguesa tenta tornar invisíveis.

Faz parte da geração da Escola Nova Francesa de Estudos Sociais na Europa e é especialista na história do século XIX. O artigo "Uma história das mulheres é possível?" é precursor dos estudos sobre a história das mulheres no ocidente. Defendeu sua tese de doutorado de Estado sobre o movimento operário sob a supervisão de Labrousse. Historiadora engajada participou ao lado de Foucault do grupo de discussão sobre as prisões. Promoveu importante debate entre os historiadores e Michel Foucault publicado no livro que organizou "A impossível prisão". Dirigiu ao lado de G. Duby a série História da Vida Privada e História das mulheres no Ocidente.

Ao longo de décadas, Perrot deslocou o foco da historiografia francesa para o mundo do trabalho, para a análise do positivismo e para as questões femininas — enxergando a mulher não como um “tema” ou um objeto de estudo desumanizado, mas sim como um problema político, visando compreender quem é digno de ser considerado um sujeito histórico e quem é lançado ao apagamento.

Perrot iniciou seus estudos na área – e também sua militância, já que se coloca como uma historiadora feminista – em 1973, quando, já doutora em História e docente na Universidade Paris VII, lecionou um curso intitulado As mulheres têm uma História?”. Desde então, publicou vários livros sobre o tema, como “A História das mulheres no Ocidente”, “Minha História das mulheres”, “Mulheres públicas”, “As mulheres ou o silêncio da História” e o infanto-juvenil “Era uma vez… a História das mulheres”, além deste “Os excluídos da História: operários, mulheres e prisioneiros”, lançado no Brasil pela primeira vez em 1988 e relançado em 2017 pela Editora Paz e Terra.

A contribuição fundamental da historiadora é a sua luta no movimento feminista demonstrando que o trabalho histórico também se faz permeado pela ação política no presente. A autora figura como umas das mais célebres historiadoras da causa feminista, assim como da vertente social da história francesa.

Ela é membro do comitê de padrinhos da coordenação francesa para a década da cultura da paz e da não-violência. Recebeu o Prémio Simone de Beauvoir em 2014.

Fontes

https://www.justicadesaia.com.br/os-excluidos-da-historia-de-michelle-perrot-a-resistencia-das-mulheres-a-invisibilidade-e-a-domesticacao-resenha-por-vanessa-prateano/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Michelle_Perrot

https://operamundi.uol.com.br/pensar-a-historia/michelle-perrot-a-trajetoria-da-historiadora-que-escreveu-contra-o-silencio/#google_vignette

 


 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mulher na história: Letitia Mumford Geer

Olá pessoal!!!

Hoje vamos conhecer um pouco sobre Letitia e sua criação\inovação.

Ela é reconhecida como uma das mulheres que mudaram a saúde mundial com suas contribuições técnicas, destacando-se em uma época com pouca participação feminina na criação de instrumentos patenteados. 



Letitia Mumford Geer (1852 – 18 de julho de 1935) foi uma enfermeira, inventora e fabricante de instrumentos médicos americana, mais conhecida por criar a primeira seringa médica prática para uso com uma só mão. Seu projeto patenteado em 1899 melhorou significativamente a precisão, a higiene e a eficiência da administração de medicamentos e influenciou o desenvolvimento das seringas modernas usadas na área da saúde atualmente. Mais tarde, ela fundou a Geer Manufacturing Company e contribuiu com outras inovações para a instrumentação médica, tornando-se uma das primeiras mulheres inventoras reconhecidas nesse campo.

Letitia Geer nasceu em 1852 na cidade de Nova York, filha de George Warren Geer e Cornelia Matilda Mumford Geer, e era uma de quatro irmãos. Embora pouco se tenha documentado sobre sua juventude, ela trabalhou inicialmente como professora antes de ingressar na profissão de enfermagem. Suas experiências clínicas a expuseram às limitações dos instrumentos médicos da época, particularmente as seringas, despertando seu interesse em aprimorar as tecnologias médicas por meio de um design prático e centrado no usuário.

Após passar vários anos lecionando, Geer mudou-se para Chicago, onde conheceu seu marido, Charles Geer, um empresário envolvido na fabricação de instrumentos cirúrgicos. Por meio de seu trabalho ao lado dele, ela se familiarizou cada vez mais com o design e a função de dispositivos médicos usados ​​em hospitais e clínicas. Geer observou que muitas das seringas comumente usadas eram volumosas, exigiam o uso das duas mãos e eram propensas a imprecisões e problemas de higiene. Essas limitações representavam desafios para enfermeiros e médicos, especialmente em ambientes clínicos que exigiam rapidez, precisão e esterilidade.



Motivada a criar uma ferramenta mais segura e eficiente, Geer projetou uma seringa que podia ser operada inteiramente com uma mão, melhorando tanto o controle quanto a higiene. Ela registrou um pedido de patente para o dispositivo em 12 de fevereiro de 1896.  Sua invenção, que incorporava uma alça para o dedo presa ao êmbolo, permitia aos usuários estabilizar o corpo da seringa enquanto administravam a medicação suavemente com um único movimento. O Escritório de Patentes dos EUA concedeu-lhe a patente em 1899 sob o número de publicação US622848A.  Embora seu projeto representasse uma melhoria notável em relação às seringas existentes, alguns hospitais continuaram a usar outros dispositivos, e várias empresas logo fabricaram seringas muito semelhantes ao seu modelo patenteado.

Em 1904, Geer fundou a Geer Manufacturing Company para produzir e aprimorar sua seringa e continuar desenvolvendo instrumentos médicos. Além da inovação em seringas, ela patenteou melhorias no espéculo nasal e em um retrator cirúrgico, ambos projetados com a mesma ênfase em usabilidade e precisão. Fora de seu trabalho em tecnologia médica, Geer foi ativa no movimento sufragista feminino e participou da Associação Nacional Americana pelo Sufrágio Feminino, refletindo seu amplo compromisso com o progresso social e os direitos das mulheres. 

O design da seringa dela tinha uma agulha destacável, um êmbolo de borracha e um cilindro de vidro. O êmbolo de borracha podia aspirar fluidos para dentro da seringa. Além disso, o êmbolo tinha uma alça em forma de U. 

Letitia Geer morreu em 18 de julho de 1935, no Brooklyn, Nova York, aos 83 anos. 

Fonte

https://en.wikipedia.org/wiki/Letitia_Mumford_Geer


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mulher na história: Emília Viotti da Costa.
Olá pessoal!

A mulher que ficou na história como uma grande  pesquisadora e professora de história.

Na faculdade li muitos textos dela.

Vamos saber um pouco sobre EmíliaViotti da Costa.



Emília Viotti da Costa (São Paulo, 28 de fevereiro de 1928 — 2 de novembro de 2017) foi uma historiadora, pesquisadora e professora universitária brasileira.

Emília Viotti da Costa foi uma historiadora especializada em história social e econômica. Formada em História pela Universidade de São Paulo (USP). Em 24 de junho de 1999, tornou-se a 26ª professora emérita da universidade em que se formou. Suas pesquisas foram pioneiras nos estudos sobre a escravidão o movimento abolicionista e a transição da Monarquia para a República no Brasil. Além de sua contribuição acadêmica, Viotti foi uma pessoa que viveu em defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas.

Iniciou sua trajetória acadêmica na Universidade de São Paulo, onde se formou em História em 1954. Após sua graduação, dedicou-se à docência e à pesquisa na mesma universidade, onde desenvolveu grande parte de sua carreira. Em 1964, concluiu seu doutorado com uma tese sobre a Abolição da Escravatura no Brasil, uma obra de notoriedade dentro do tema.

Sua carreira foi marcada pelo engajamento com a história social e pela análise crítica dos processos históricos brasileiros, especialmente no que diz respeito à escravidão, abolição e às estruturas de poder. Em 1969, após o endurecimento do regime militar no Brasil, ela foi forçada a se exilar nos Estados Unidos, onde continuou sua carreira acadêmica. Nos Estados Unidos, lecionou em várias universidades, incluindo a Universidade Yale, Stanford e Illinois, onde se estabeleceu e tornou-se professora titular. Como professora, Viotti influenciou a historiografia brasileira, promovendo uma abordagem crítica e interdisciplinar. Ela é conhecida por ter se tornado referência nos estudos de história da escravidão e da abolição.

Emília morreu em 2 de novembro de 2017, em São Paulo, aos 89 anos, em decorrência da falência múltipla dos órgãos.

Aqui estão reunidas todas as obras que Emília Viotti da Costa produziu e participou durante sua trajetória.

·       Da Senzala à Colônia (1966)

·       A Abolição (1982)

·       A Monarquia e a República no Brasil (1989)

·       O Supremo Tribunal Federal e a Construção da Cidadania (2001)

·       A Escravidão em São Paulo: A Negociação da Liberdade (2004)

·       Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue: A Rebelião dos Escravos de Demerara, 1823"(1998)

·       O Sincretismo Religioso no Brasil (1980)

·       Dialética Invertida e a Reorganização do Projeto Colonial: Análise do Caso Português (1988)

·       História do Trabalho no Brasil (2006)

·       Imagens e Fantasias na Criação do Brasil (1994)

·       Ideologia Burguesa e Disciplina Operária (1977)

·       A Dialética Invertida: As Origens do Colapso da Economia Açucareira Colonial, 1750-1800 (1969)

·       Estudos de História (1984)

·       Introdução ao Estudo da Emancipação Política do Brasil (1964)


Fonte

https://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlia_Viotti_da_Costa

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Mulher na história: Maria E. Beasley

Olá pessoal!

Vamos conhecer um pouco sobre Maria Beasley uma grande inventora que deixou sua marca na história.  

Maria E. Beasley (nascida Hauser; c. 1836–1913) foi uma empresária e inventora americana. Nascida na Carolina do Norte, Beasley cresceu com um forte interesse por trabalhos mecânicos e aprendeu a profissão de fabricante de barris com seu avô. Entre 1878 e 1898, ela patenteou quinze invenções nos Estados Unidos: entre elas, um aquecedor de pés, uma jangada salva-vidas aprimorada e um dispositivo anti-descarrilamento para trens; no entanto, seu principal sucesso como inventora derivou de sua especialização em máquinas e processos de fabricação de barris.

Maria Hauser nasceu por volta de 1836 na Carolina do Norte, em uma família rica. Seus pais eram Anna Johanna Spach e Christian Hauser e Christian era moleiro. Maria demonstrou grande interesse por mecânica desde jovem e passou um tempo familiarizando-se com as máquinas do moinho de seu pai e com a destilaria de seu avô. Aos treze anos, ela construiu um pequeno veleiro capaz de transportá-la com segurança, juntamente com seu cachorro. Um de seus avôs, Jacob Hauser, era dono de uma destilaria no Kentucky, e quando Maria o visitou e conheceu seu negócio.


Maria casou-se com um médico da Carolina do Norte chamado John Q. Beasley, adotando seu nome. Eles tiveram dois filhos: C. Oscar e Walter. Maria Beasley mudou-se com a família para a casa de seu avô no Kentucky (que ele mais tarde lhe legou). Eles viveram lá por pelo menos dez anos. Beasley então decidiu que haveria melhores oportunidades educacionais para seus filhos mais ao norte, então ela vendeu as terras no Kentucky e mudou-se com a família novamente, desta vez para Filadélfia, Pensilvânia.

Beasley em 1876, quando a Exposição do Centenário foi inaugurada na Filadélfia, Beasley tornou-se uma visitante frequente das exposições no Pavilhão das Máquinas. A experiência a motivou a projetar suas próprias invenções. Em 1878 e 1879, ela obteve suas primeiras patentes: um dispositivo aprimorado para aquecer os pés e um projeto de assadeira.

Em 1880, Beasley decidiu investir na invenção de uma nova máquina para fabricar barris com mais eficiência. Ela visitou diferentes fábricas de barris em todo o país para avaliar os procedimentos de fabricação e concluiu que a etapa mais difícil era a tarefa de colocar aros em volta das aduelas do barril. Ela patenteou uma máquina de colocar aros em barris em 1881 e 1882, que exibiu na Exposição Mundial Industrial e do Centenário do Algodão em 1884. Sua invenção impactou significativamente a produção industrial de barris, e sua patente foi licenciada para a Standard Oil Company. Beasley aproveitou esse sucesso e continuou a inventar pelo menos outras cinco máquinas e processos industriais relacionados a barris. À medida que continuava a patentear suas invenções, ela garantiu assistência financeira transferindo direitos parciais para parceiros comerciais. Com a ajuda de investidores, ela fundou a Beasley Standard Barrel Manufacturing Company em 1884, da qual era acionista majoritária.

Sua família apoiava firmemente seu trabalho: John Q. tornou-se agente de patentes para ajudar a comercializar seus projetos, enquanto seu filho Walter administrava as operações em sua fábrica. A historiadora B. Zarina Khan observa que, apesar das leis de cobertura (que davam aos homens direitos legais sobre os rendimentos e bens das suas esposas), John Q. renunciou explicitamente a quaisquer reivindicações que pudesse ter sobre as transações comerciais da sua esposa, garantindo, consequentemente, que os seus clientes e parceiros não pudessem abusar do seu estatuto legal de mulher casada para rescindir os seus contratos.

Beasley patenteou um total de quinze invenções nos Estados Unidos e obteve patentes britânicas adicionais para duas dessas obras. Suas outras invenções não relacionadas a barris incluíram duas patentes para uma jangada salva-vidas aprimorada (1880 e 1882), uma máquina para colar as partes superiores dos sapatos (1882), um gerador de vapor (1886), e uma máquina de fazer pão.

A jangada de Beasley usa uma base de flutuadores metálicos dobráveis ​​que é mais flexível e facilita o armazenamento a bordo de um navio, incluindo também recipientes herméticos para proteger provisões perecíveis. Em seu projeto atualizado, ela permite que a jangada seja usada reversivelmente com maior facilidade (em caso de emborcamento acidental) ajustando a superfície dos flutuadores metálicos e incluindo um guarda-corpo ajustável.

Embora algumas fontes da internet afirmem que as balsas salva-vidas de Beasley foram usadas no RMS Titanic em 1912, salvando aproximadamente 700 vidas, o autor David H. Cropley questiona a credibilidade dessa afirmação. O Titanic transportava botes salva-vidas, não balsas salva-vidas. Embora quatro dos botes salva-vidas do navio utilizassem modelos de lona dobráveis, eles não parecem ser baseados no projeto de Beasley.

Beasley morreu em 1913.

 Fonte

https://en.wikipedia.org/wiki/Maria_E._Beasley 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Mulher na história: Melitta Bentz

Olá pessoal!!

 

Morria e não sabia que a inventora do filtro de café era uma mulher. Lógico fui procurar saber um pouco sobre Melitta Bentz.


Melitta Bentz (nascida Liebscher, 31 de janeiro de 1873 – 29 de junho de 1950) foi uma empreendedora alemã que revolucionou o preparo do café ao inventar o primeiro filtro de papel em 1908. Cansada da borra e do amargor do café coado em métodos tradicionais, ela usou uma caneca de latão perfurada e papel mata-borrão do caderno de seu filho para criar um sistema de filtragem, fundando a empresa Melitta para comercializar sua invenção. 


Conhecida como uma líder visionária, Melitta implementou benefícios aos funcionários, incluindo aumento de férias, bônus de Natal e uma semana de trabalho reduzida.


Amalie Auguste Melitta Liebscher nasceu em Dresden, Alemanha, em uma família predominantemente de artesãos. Desde cedo, demonstrou habilidade para perceber e encontrar soluções para problemas práticos. Casou-se com Hugo Bentz e teve três filhos. Foi administrando sua casa que descobriu uma nova e melhor maneira de preparar café.


No início do século XX, o café era tipicamente preparado com percoladores, que frequentemente extraíam demais o café, resultando em um sabor áspero. Filtros de pano estavam disponíveis, mas eram difíceis de usar e limpar. Bentz procurou uma solução que resultasse em um café com sabor melhor. Em 1908, ela pegou uma folha de papel mata-borrão do caderno escolar de seu filho e uma panela de latão perfurada e, a partir desses materiais, criou o primeiro filtro de café. Esse dispositivo filtrava os grãos de café e os óleos, resultando em uma bebida mais limpa. Ela recebeu uma patente por seu projeto em 8 de julho de 1908, introduzindo o filtro de café por gotejamento que é comumente usado hoje. 


Reconhecendo o potencial comercial de sua invenção, Bentz fundou a empresa Melitta com seu marido, Hugo, em 1908. Inicialmente, o casal produzia filtros de café em casa; Hugo cuidava da produção e Melitta liderava os esforços de marketing. Após a Primeira Guerra Mundial, a empresa expandiu-se rapidamente. Em 1932, a empresa lançou filtros em formato de cone, aprimorando e refinando o processo de preparo do café passo a passo. O negócio prosperou e resistiu às mudanças de fábrica e à escassez de materiais durante a Segunda Guerra Mundial.


Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial na Europa, os negócios de Bentz enfrentaram diversos problemas. Para começar, o marido de Bentz e seu filho mais velho, Willy, foram convocados para o Exército Alemão. O irmão de Bentz, Paul Liebscher, ajudou a manter a empresa à tona durante a guerra.  A obtenção de suprimentos tornou-se difícil; os metais estavam sendo usados na construção de zepelins e o papel era racionado. Além disso, o bloqueio britânico à Alemanha tornou extremamente difícil a importação de grãos de café, e a demanda começou a cair.


A invenção de Melitta Bentz trouxe muitos benefícios para a sociedade. Ela impulsionou uma mudança cultural em direção a um preparo de café mais acessível e pessoal, aprimorando os métodos de preparo e popularizando o café caseiro. Seus esforços impactaram a cultura do café contemporânea, lançando as bases para melhorias na tecnologia de preparo. A Melitta Company permanece líder mundial em equipamentos para preparo de café, filtros e operações sustentáveis no setor cafeeiro.


Melitta Bentz faleceu em Porta Westfalica, Alemanha, em 29 de junho de 1950, deixando uma empresa familiar que se tornou uma potência global em produtos de café. Sua empresa continua a honrar seu trabalho e legado, chamando-a de pioneira na indústria do café. A Melitta continua a celebrar suas contribuições para a indústria do café e seu espírito inovador por meio de iniciativas corporativas que promovem a inovação e a sustentabilidade.


Fontes

https://en.wikipedia.org/wiki/Melitta_Bentz

 

Visão geral criada por IA

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mulher na história: Esperança Garcia.

Olá pessoal!

Na minha busca por mulheres que deixaram sua marca no mundo, passeando pela internet encontrei Esperança Garcia que hoje é considerada a primeira advogada do Brasil.

Um pouco sobre ela.


Esperança Garcia (Fazenda Algodões, circa 1751 - ?) foi uma mulher negra escravizada brasileira, considerada a primeira mulher advogada do Brasil. Em 6 de setembro de 1770, Esperança enviou uma petição ao então presidente da Capitania de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, onde denuncia maus-tratos e abusos físicos contra ela, seu filho e companheiras de cativeiro, feitos pelo feitor da Fazenda Algodões.

Esperança nasceu em uma fazenda de propriedade dos jesuítas, onde hoje fica o município de Nazaré do Piauí. Em 1759, Marquês de Pombal expulsou os jesuítas do Brasil, por conflitos de interesse entre a Companhia de Jesus e a Coroa Portuguesa. Após a expulsão dos jesuítas, essas propriedades foram transferidas ao controle do governo colonial, que impôs condições severas aos escravizados. Aos 9 anos de idade, quando a ela foi levada como escrava para a casa do capitão Antônio Vieira de Couto. Aos 16 anos, teve seu primeiro filho. 

A carta em que Esperança Maria fundamenta sua situação ao governador da capitania.

Em 6 de setembro de 1770, escreveu uma carta ao governador da Capitania do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos que sofria. Pedia ainda para retornar à Fazenda Algodões e para ter sua filha batizada.

O texto, datado de 6 de setembro de 1770, foi descoberto pelo antropólogo e historiador Luiz Mott, professor na Universidade Federal da Bahia. Revisto e analisado, passou a ser considerado uma petição — a primeira peça jurídica escrita por uma mulher no Brasil.

Fugiu pouco depois, reaparecendo numa relação de trabalhadores escravizados da Fazenda Algodões, datada de 1778, casada com o angolano Ignácio e com sete filhos.

Em 2017, o Memorial Zumbi dos Palmares, espaço dedicado à cultura negra em Teresina, foi reformado e reinaugurado com o nome de Memorial Esperança Garcia. No Carnaval de 2019, a Estação Primeira de Mangueira fez uma homenagem a Esperança Garcia em seu samba-enredo "História pra Ninar Gente Grande". Em 2023, a escola de samba Em Cima da Hora homenageou Esperança Garcia em seu enredo, na Série Ouro dos desfiles do Rio de Janeiro.

Em 2022, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passou a reconhecer Esperança Garcia como a primeira advogada brasileira, repetindo uma honraria póstuma que já havia sido conferida ao abolicionista Luiz Gama (1830-1882) em 2015.

 

Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esperan%C3%A7a_Garciattps://www.bbc.com/portuguese/articles/c308pvg7m6po


 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Mulher na história: Gladys Mae West

Olá pessoal!

Gladys compreendeu desde cedo que a  educação seria a melhor maneira de ter uma vida diferente de seus pais, se tornou uma grande matemática.  




Vamos saber mais sobre essa grande mulher que ficou na história.

Gladys Mae West, nascida Gladys Mae Brown, (Condado de Dinwiddie, 27 de outubro de 1930 – 17 de janeiro de 2026) foi uma matemática norte-americana que serviu de base essencial no desenvolvimento e criação do GPS.

Nascida no Condado de Dinwiddie, em 1931,Gladys não se interessava por plantações de algodão ou tabaco, que era o trabalho dos pais e dos amigos, e sabia que a melhor maneira de deixar o campo seria através da educação. Quando estava no ensino médio, ela soube que os melhores alunos do último ano poderiam ganhar uma bolsa de estudos para a Universidade de Virgínia, Gladys se empenhou nos estudos e se formou como a primeira da classe.

Com bolsa de estudos para a universidade, ela se graduou em matemática e por dois anos lecionou no Condado de Sussex antes de voltar para a faculdade a fim de obter um mestrado. Em 1956, ingressou na base naval de Dahlgren, sendo a segunda mulher negra a ser empregada na instituição. Foi na base que ela conheceu seu marido com quem casou em 1957.

Uma de suas atribuições em Dahlgren era a de coletar dados de localização espacial dos satélites em órbita e depois inserir os dados nos supercomputadores da base, usando um programa rudimentar para analisar elevações de superfície. Trabalhou por dias coletando dados e realizando cálculos complexos, grata por ter contato não apenas com a matemática como também com vários cientistas de renome. Seu supervisor lhe recomendou como diretora do projeto do satélite Seasat, o primeiro satélite que poderia fazer sensoreamento remoto dos oceanos através de radar. Em 1979, ela foi indicada para um prêmio por seu trabalho. Por volta dessa época, Gladys era programadora de supercomputadores e diretora do projeto de processamento de dados usados em análises de satélites.

Em 1986, Gladys publicou um guia ilustrado de 60 páginas chamado "Especificações para Sistemas de Processamento de Dados para Altímetros de Satélites de Radar Geosat", pelo Centro de Armas Navais, que explicava como aumentar a acurácia na estimativa de deflexão vertical e alturas geoidais. Tal feito foi alcançado pelo processamento de dados criados pelos altímetros via rádio dos satélites geosat em órbita da Terra em 12 de março de 1984.Gladys trabalhou na base naval por 42 anos e se aposentou em 1998.

Um dos trabalhos mais importantes da pesquisadora envolveu o sistema global de posicionamento, mais conhecido pela sigla GPS.

Cinco meses após sua aposentadoria, Gladys teve um acidente vascular cerebral (AVC) que afetou sua visão e audição, além do equilíbrio e o lado direito do corpo. Mesmo se recuperando do AVC, Gladys decidiu obter seu doutorado. Entrou na Associação Cristã de Moços para fazer fisioterapia e assim se recuperar para obter seu doutorado à distância pela Virginia Tech. Além do AVC, ela também precisou de quatro pontes de safena e precisou tratar um câncer em 2011.

West morreu no do 17 de janeiro de 2026, aos 95 anos.

 Fonte

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gladys_West


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Mulheres na história: Carolina Maria de Jesus.

 Olá pessoal!

Ouvi sobre Carolina Maria de Jesus no colégio que eu trabalhava, achei a história dela fantástica.

Ainda não li o livro mais famoso dela, mas já está na lista.

Em breve será lançado um filme sobre a história de Carolina. 


Um pouco sobre Carolina.

Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 – São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora, cantora, compositora e poetisa brasileira.

Uma das primeiras escritoras negras do Brasil, Carolina Maria de Jesus é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Central de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, numa comunidade rural. Filha de pais negros que migraram para a cidade no início das atividades pecuárias na região. Oriunda de família muito humilde, a autora estudou pouco. Era filha ilegítima de um homem casado e foi maltratada durante toda sua infância. Aos sete anos, sua mãe a obrigou a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar seus estudos. Ela interrompeu o curso no segundo ano, tendo já conseguido aprender a ler e a escrever e desenvolvido o gosto pela leitura. Carolina não negava sua religiosidade, referia-se a Deus em seu diário.

Carolina morou em Sacramento até 1930, quando se mudou com a mãe para Franca, cidade a 100 km de Sacramento, já no estado de São Paulo. Carolina trabalhou como empregada doméstica e permaneceu na cidade até 1937.

Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer material que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.

Em 1947, aos 33 anos, desempregada e grávida, Carolina instalou-se na extinta favela do Canindé, na zona norte de São Paulo — num momento em que surgiam na cidade as primeiras favelas — cujo contingente de moradores estava em torno de cinquenta mil. Ao chegar à cidade, conseguiu emprego na casa do notório cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, médico precursor da cirurgia de coração no Brasil, o que permitia a Carolina ler os livros de sua biblioteca nos dias de folga.

Em 1949, deu à luz seu primeiro filho, João José de Jesus, o que fez que perdesse seu emprego, voltando a ser catadora. Teve ainda mais dois filhos: José Carlos de Jesus, nascido em 1950, e Vera Eunice de Jesus, nascida em 1953.

Ao mesmo tempo em que trabalhava como catadora, registrava o cotidiano da comunidade onde morava nos cadernos que encontrava no material que recolhia, que somavam mais de vinte. Um destes cadernos, um diário que havia começado em 1955, deu origem a seu livro mais famoso, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Na década de 1950, o jornalista Audálio Dantas presenciou a cena em que Carolina estava em uma praça vizinha à comunidade, quando percebeu que alguns adultos estavam destruindo os brinquedos ali instalados para as crianças. Sem pensar, Carolina ameaçou denunciar os infratores, fazendo deles personagens do seu livro de memórias. O jornalista iniciou um diálogo com a mulher que possuía inúmeros cadernos nos quais narrava o drama de sua indigência e o dia-a-dia do Canindé. Dantas de imediato se interessou pelo “fenômeno” que tinha em mãos e se comprometeu em reunir e divulgar o material.

Depois da publicação, Carolina teve de lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização. A autora relatou que muitos dos moradores da favela chegaram a jogar, nela e em seus três filhos, os conteúdos de seus penicos. Carolina definiu a favela como "tétrica", "recanto dos vencidos" e "depósito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola".

Publicado em 1960, a tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e esgotou-se em uma semana.

Depois da publicação de Quarto de Despejo, Carolina mudou-se para Santana, bairro de classe média, na zona norte de São Paulo. Em 1963, publicou, por conta própria, o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios.

Em 1962, Quarto de Despejo foi publicado nos Estados Unidos pela editora E. P. Dutton com o título Child of the Dark. No ano seguinte, como parte da coleção Mentor, a tradução ganhou uma edição de bolso, publicada primeiro pela New American Library, depois pela Penguin USA. Segundo o autor Robert Levine, somente das vendas desta edição, que totalizaram mais de trezentas mil cópias nos EUA, Carolina e sua família deveriam ter recebido, pelo contrato original, mais de cento e cinquenta mil dólares. Contudo, não foi encontrado indício algum de que ela tenha recebido sequer uma pequena parte disto.

Posteriormente, em 1969, Carolina acumulou dinheiro suficiente para se mudar de Santana para Parelheiros, uma região remota da Zona Sul de São Paulo, no pé de uma colina. Próxima de casas ricas, local de algumas das habitações mais pobres do subúrbio da cidade, com impostos e preços menores, era lá que Carolina esperava encontrar solitude.

Embora pobre, Parelheiros era o mais próximo que Carolina poderia chegar do interior de sua infância sem deixar São Paulo e suas escolas públicas, para as quais seus filhos iam de ônibus. Os três moravam com ela: João José, com 21 anos, trabalhava numa fábrica de têxteis; José Carlos, com 19 anos, cursava o primeiro ano do ensino médio e vendia objetos na rua; Vera, com 16 anos, também estava na escola.

A casa de Carolina fora construída num terreno modesto, perto de uma estrada de terra: visitantes andavam em tábuas de madeira sobre lama para chegar à casa cor de abóbora com janelas de caixilhos verdes. Agora passando boa parte de seu tempo sozinha, a autora lia o jornal e plantava milho e hortaliças, apesar de reclamar que seus esforços de jardinagem lhe rendessem tanto quanto lhe custassem.

Logo depois de se mudar para Parelheiros, Carolina parou de receber pagamentos de direitos autorais. Tinha tão pouco dinheiro que, assim fizera na favela do Canindé, ela e seus filhos passavam certos dias catando papéis e garrafas para vender: agora, contudo, usava o dinheiro de catadora para comprar refrigerantes e bilhetes de cinema. De tempos em tempos, entregava a uma vendedora local os abacates, bananas e mandiocas que produzia para serem vendidos num mercado local.

Segundo reportagens da época, os pagamentos de direitos autorais recebidos por Carolina eram "pequenos, mas constantes". Não eram, todavia, suficientes para que conseguisse viver melhor do que pouco acima da linha da pobreza.

Com o lançamento do seu primeiro livro em 1960, Carolina passou a ser reconhecida internacionalmente como a negra da literatura brasileira. Ganhando homenagem na Academia de Letras de São Paulo e na Faculdade de Direito de São Paulo, a escritora que, até então, nunca havia ganhado atenção, passou a realizar entrevistas em canais de televisão e rádio por todo o país. A presença da obra de Carolina naquele período era almejada não só no país inteiro, mas também no exterior. A autora viajou para o Uruguai, Chile e Argentina, recebendo, em Buenos Aires, a “Orden Caballero del Tornillo”.

Em 1961, com o sucesso da publicação do livro, Carolina Maria de Jesus grava suas composições em disco lançado pela gravadora RCA Victor. O álbum foi intitulado Quarto de Despejo: Carolina Maria de Jesus cantando suas composições e contém 12 músicas, todas escritas e cantadas por Carolina.

Com o lançamento do seu primeiro livro em 1960, Carolina passou a ser reconhecida internacionalmente como a negra da literatura brasileira. Ganhando homenagem na Academia de Letras de São Paulo e na Faculdade de Direito de São Paulo, a escritora que, até então, nunca havia ganhado atenção, passou a realizar entrevistas em canais de televisão e rádio por todo o país. A presença da obra de Carolina naquele período era almejada não só no país inteiro, mas também no exterior. A autora viajou para o Uruguai, Chile e Argentina, recebendo, em Buenos Aires, a “Orden Caballero del Tornillo”.

Carolina Maria de Jesus morreu aos 62 anos em seu quarto, em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977. Foi vítima de uma crise de insuficiência respiratória, devido à asma, doença que carregava desde seu nascimento, e que apesar de ter realizado um tratamento, havia se agravado.

Fontes

Um pouco sobre Carolina.

Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 – São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora, cantora, compositora e poetisa brasileira.

Uma das primeiras escritoras negras do Brasil, Carolina Maria de Jesus é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Central de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, numa comunidade rural. Filha de pais negros que migraram para a cidade no início das atividades pecuárias na região. Oriunda de família muito humilde, a autora estudou pouco. Era filha ilegítima de um homem casado e foi maltratada durante toda sua infância. Aos sete anos, sua mãe a obrigou a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar seus estudos. Ela interrompeu o curso no segundo ano, tendo já conseguido aprender a ler e a escrever e desenvolvido o gosto pela leitura. Carolina não negava sua religiosidade, referia-se a Deus em seu diário.

Carolina morou em Sacramento até 1930, quando se mudou com a mãe para Franca, cidade a 100 km de Sacramento, já no estado de São Paulo. Carolina trabalhou como empregada doméstica e permaneceu na cidade até 1937.

Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer material que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.

Em 1947, aos 33 anos, desempregada e grávida, Carolina instalou-se na extinta favela do Canindé, na zona norte de São Paulo — num momento em que surgiam na cidade as primeiras favelas — cujo contingente de moradores estava em torno de cinquenta mil. Ao chegar à cidade, conseguiu emprego na casa do notório cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, médico precursor da cirurgia de coração no Brasil, o que permitia a Carolina ler os livros de sua biblioteca nos dias de folga.

Em 1949, deu à luz seu primeiro filho, João José de Jesus, o que fez que perdesse seu emprego, voltando a ser catadora. Teve ainda mais dois filhos: José Carlos de Jesus, nascido em 1950, e Vera Eunice de Jesus, nascida em 1953.

Ao mesmo tempo em que trabalhava como catadora, registrava o cotidiano da comunidade onde morava nos cadernos que encontrava no material que recolhia, que somavam mais de vinte. Um destes cadernos, um diário que havia começado em 1955, deu origem a seu livro mais famoso, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Na década de 1950, o jornalista Audálio Dantas presenciou a cena em que Carolina estava em uma praça vizinha à comunidade, quando percebeu que alguns adultos estavam destruindo os brinquedos ali instalados para as crianças. Sem pensar, Carolina ameaçou denunciar os infratores, fazendo deles personagens do seu livro de memórias. O jornalista iniciou um diálogo com a mulher que possuía inúmeros cadernos nos quais narrava o drama de sua indigência e o dia-a-dia do Canindé. Dantas de imediato se interessou pelo “fenômeno” que tinha em mãos e se comprometeu em reunir e divulgar o material.

Depois da publicação, Carolina teve de lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização. A autora relatou que muitos dos moradores da favela chegaram a jogar, nela e em seus três filhos, os conteúdos de seus penicos. Carolina definiu a favela como "tétrica", "recanto dos vencidos" e "depósito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola".

Publicado em 1960, a tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e esgotou-se em uma semana.

Depois da publicação de Quarto de Despejo, Carolina mudou-se para Santana, bairro de classe média, na zona norte de São Paulo. Em 1963, publicou, por conta própria, o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios.

Em 1962, Quarto de Despejo foi publicado nos Estados Unidos pela editora E. P. Dutton com o título Child of the Dark. No ano seguinte, como parte da coleção Mentor, a tradução ganhou uma edição de bolso, publicada primeiro pela New American Library, depois pela Penguin USA. Segundo o autor Robert Levine, somente das vendas desta edição, que totalizaram mais de trezentas mil cópias nos EUA, Carolina e sua família deveriam ter recebido, pelo contrato original, mais de cento e cinquenta mil dólares. Contudo, não foi encontrado indício algum de que ela tenha recebido sequer uma pequena parte disto.

Posteriormente, em 1969, Carolina acumulou dinheiro suficiente para se mudar de Santana para Parelheiros, uma região remota da Zona Sul de São Paulo, no pé de uma colina. Próxima de casas ricas, local de algumas das habitações mais pobres do subúrbio da cidade, com impostos e preços menores, era lá que Carolina esperava encontrar solitude.

Embora pobre, Parelheiros era o mais próximo que Carolina poderia chegar do interior de sua infância sem deixar São Paulo e suas escolas públicas, para as quais seus filhos iam de ônibus. Os três moravam com ela: João José, com 21 anos, trabalhava numa fábrica de têxteis; José Carlos, com 19 anos, cursava o primeiro ano do ensino médio e vendia objetos na rua; Vera, com 16 anos, também estava na escola.

A casa de Carolina fora construída num terreno modesto, perto de uma estrada de terra: visitantes andavam em tábuas de madeira sobre lama para chegar à casa cor de abóbora com janelas de caixilhos verdes. Agora passando boa parte de seu tempo sozinha, a autora lia o jornal e plantava milho e hortaliças, apesar de reclamar que seus esforços de jardinagem lhe rendessem tanto quanto lhe custassem.

Logo depois de se mudar para Parelheiros, Carolina parou de receber pagamentos de direitos autorais. Tinha tão pouco dinheiro que, assim fizera na favela do Canindé, ela e seus filhos passavam certos dias catando papéis e garrafas para vender: agora, contudo, usava o dinheiro de catadora para comprar refrigerantes e bilhetes de cinema. De tempos em tempos, entregava a uma vendedora local os abacates, bananas e mandiocas que produzia para serem vendidos num mercado local.

Segundo reportagens da época, os pagamentos de direitos autorais recebidos por Carolina eram "pequenos, mas constantes". Não eram, todavia, suficientes para que conseguisse viver melhor do que pouco acima da linha da pobreza.

Com o lançamento do seu primeiro livro em 1960, Carolina passou a ser reconhecida internacionalmente como a negra da literatura brasileira. Ganhando homenagem na Academia de Letras de São Paulo e na Faculdade de Direito de São Paulo, a escritora que, até então, nunca havia ganhado atenção, passou a realizar entrevistas em canais de televisão e rádio por todo o país. A presença da obra de Carolina naquele período era almejada não só no país inteiro, mas também no exterior. A autora viajou para o Uruguai, Chile e Argentina, recebendo, em Buenos Aires, a “Orden Caballero del Tornillo”.

Em 1961, com o sucesso da publicação do livro, Carolina Maria de Jesus grava suas composições em disco lançado pela gravadora RCA Victor. O álbum foi intitulado Quarto de Despejo: Carolina Maria de Jesus cantando suas composições e contém 12 músicas, todas escritas e cantadas por Carolina.

Com o lançamento do seu primeiro livro em 1960, Carolina passou a ser reconhecida internacionalmente como a negra da literatura brasileira. Ganhando homenagem na Academia de Letras de São Paulo e na Faculdade de Direito de São Paulo, a escritora que, até então, nunca havia ganhado atenção, passou a realizar entrevistas em canais de televisão e rádio por todo o país. A presença da obra de Carolina naquele período era almejada não só no país inteiro, mas também no exterior. A autora viajou para o Uruguai, Chile e Argentina, recebendo, em Buenos Aires, a “Orden Caballero del Tornillo”.

Carolina Maria de Jesus morreu aos 62 anos em seu quarto, em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977. Foi vítima de uma crise de insuficiência respiratória, devido à asma, doença que carregava desde seu nascimento, e que apesar de ter realizado um tratamento, havia se agravado.

Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carolina_Maria_de_Jesus

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