Começando por Camille,
conhecia de nome e mais nada.

Um pouco sobre essa
grande artista.
Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (Fère-en-Tardenois, 8
de dezembro de 1864 – Montdevergues, 19 de
outubro de 1943) foi uma escultora e artista francesa.
Faleceu na obscuridade, mas sua obra ganhou reconhecimento por sua
originalidade décadas após a morte.
Já moça Camille estudou na Académie Colarossi, um dos poucos lugares abertos a
estudantes mulheres com o escultor Alfred Boucher. Em 1882, alugou um ateliê com outras mulheres, a maioria inglesa. Alfred Boucher
era seu mentor e lhe concedeu a inspiração e encorajamento que recaiu sobre
toda uma geração de novos escultores. Camille esculpiria um busto dele em
gratidão. Antes de mudar-se para Florença, depois de ter lecionado para
Camille e as colegas por mais de três anos, Alfred perguntou a Auguste
Rodin se ele não gostaria de assumir a instrução de suas alunas. Foi assim
que o tumultuado e controverso o relacionamento começou, ela
então com 19 anos.
Por volta de 1884, Camille começa seus estudos na
oficina de Rodin. Ela se torna sua inspiração, sua modelo, confidente e amante.
Camille nunca morou junto de Rodin, que relutava em terminar seu relacionamento
com Rose Beuret. O conhecimento de seu caso com o escultor desagradou a
família, em especial sua mãe, que a rejeitava por não ter nascido menino (e tendo
nascido após a morte de primeiro bebê) e nunca concordou com seu envolvimento
com as artes. Como resultado, Camille deixou a residência da família e
após sofrer um aborto em 1892, terminou o relacionamento íntimo que tinha com
Rodin, apesar de continuar a vê-lo com frequência até 1898.
Camille transcendia os padrões convencionais para
esculturas em sua época e até nas décadas seguintes. Alguns classificavam
seus trabalhos como sendo ainda mais viris que obras feitas por artistas homens
e que sua escultura possuía a assinatura que apenas os gênios em suas áreas
possuem.
Ela teria percebido após algum tempo de envolvimento com o escultor que ele a explorava e que ela nunca seria obediente como Rodin queria, reconhecendo em seguida como a sociedade explorava as mulheres.
Quando Rodin viu a escultura A Idade Madura pela primeira vez em 1899, sua reação foi de
choque e fúria. Imediatamente ele cessou seu suporte a Camille e pressionou o
ministro de belas artes que cancelasse pagamentos para obras em bronze. Esculpir
era uma arte cara e Camille recebia poucas encomendas devido ao seu estilo
pouco comum para o gosto da época, o que a endividou.
Apesar de ter destruído parte de seu acervo, cerca
de 90 estátuas de Camille sobreviveram. A força e a grandiosidade de seu
talento estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura
legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da
literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero
permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.
De 1903 em diante Camille começa a exibir seus
trabalhos no Salão de Paris, ou no Salon d'Automne. É considerada
pelos críticos de arte e escritores como um gênio da escultura, uma revolta
contra os padrões estabelecidos para as mulheres. Seus trabalhos iniciais podem
demonstrar influência de Rodin, mas mostram seu conhecido lirismo e farta
imaginação.
Após 1905, Camille pareceu desenvolver
algum transtorno mental. Ela destruiu muitas de suas obras, desaparecia
por longos períodos de tempo e exibia sinais de paranoia, tendo sido
diagnosticada com esquizofrenia. Ela acusava Rodin de roubar suas
ideias e de armar um complô para assassiná-la.
Seu pai aprovava seu estilo de vida e sua escolha
profissional e a manteve financeiramente até sua morte em 2 de março de 1913,
fato que não foi informado a Camille. Dias depois, em 10 de março, seu irmão
Paul Claudel internou-a abusivamente no hospital psiquiátrico de Ville-Évrard,
em Neuilly-sur-Marne. No formulário diz que o internamento foi
"voluntário", mas foi assinado apenas pelo irmão de Camille e pelo
médico responsável. Há registros que mostram que, embora ela tenha tido surtos,
estava completamente lúcida enquanto trabalhava na sua arte. Os médicos
tentaram convencer a família de que Camille não precisava de ser internada, mas
mesmo assim eles a mantiveram lá.
Em 1914, os pacientes foram transferidos
para Enghien, para se protegerem do avanço de tropas alemãs. Em 7 de
setembro de 1914, Camille foi transferida, junto de várias mulheres, para o
Asilo de Montdevergues, em Montfavet, a seis quilômetros de Avignon.
Sua mãe proibiu Camille de receber cartas de qualquer pessoa, a não ser do
irmão. O hospital propôs novamente que Camille não tinha por que ser mantida
encarcerada, mas a família se recusava a lhe dar a dispensa. Em 1º de
junho de 1920, o médico Dr. Brunet mandou uma carta à mãe para que
tentasse reintegrar a filha ao convívio familiar, mas nunca recebeu resposta.
Seu irmão Paul Claudel a visitou apenas setes vezes
em 30 anos: 1913, 1920, 1925, 1927, 1933, 1936, 1943. Sempre se referia às
visitas como tensas. Sua irmã Louise a visitou apenas uma vez, em 1929. Sua
mãe, porém, nunca a visitou.
Camille Claudel faleceu em 19
de outubro de 1943, após viver 30 anos no hospício de Montfavet.
Em setembro de 1943, Paul foi informado sobre a doença terminal de sua irmã,
tendo dificuldades de atravessar a França ocupada, durante
a Segunda Guerra Mundial, mas não estava presente nem na sua morte nem em
seu funeral. Sua mãe faleceu em 20 de junho de 1929 e sua irmã também não
foi a Montfavet. O corpo de Camille foi enterrado no cemitério da instituição
em uma vala comum.
Ela morreu sozinha em 1943. Hoje em dia, seu
talento é celebrado e ela ganhou um museu em sua homenagem na França, o Museu
Camille Claudel.
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